Donald Trump é absolvido de segundo impeachment no Senado dos EUA

Advogados do ex-presidente Donald Trump alegaram que fala do republicano incitando manifestantes a invadir o Capitólio, no dia 6 de janeiro, foi "retórica" e que seus apelos para "lutar" não podiam ser interpretados literalmente.
Advogados do ex-presidente Donald Trump alegaram que fala do republicano incitando manifestantes a invadir o Capitólio, no dia 6 de janeiro, foi "retórica" e que seus apelos para "lutar" não podiam ser interpretados literalmente. Brendan Smialowski AFP/File
Texto por: RFI
4 min

O ex-presidente Donald Trump foi absolvido no julgamento no Senado em que era acusado de ter incitado manifestantes violentos a invadir o Capitólio em 6 de janeiro, dia em que a vitória de Joe Biden foi definitivamente confirmada nas últimas eleições. No julgamento, 57 senadores votaram pela destituição tardia – 50 democratas e sete republicanos. Outros 43 senadores do Partido Republicano inocentaram Trump. Para condená-lo, eram necessários 67 votos. A onda de violência deixou cinco mortos, incluindo um policial do Congresso.

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O objetivo dos democratas era que Trump fosse condenado e depois desqualificado politicamente, mas para isso eles precisavam de 17 votos republicanos para alcançar uma maioria de dois terços no Senado, o que não aconteceu. Uma carta do líder da bancada republicana, Mitch McConnell, vazada poucas horas antes do início da sessão, apontou que ele votaria a favor da absolvição, tirando as últimas esperanças dos democratas.

A absolvição de Trump era esperada, o que não diminui o impacto dos sete republicanos que votaram contra o partido, incluindo o ex-candidato à presidência Mitt Romney. O líder da bancada democrata na Casa, senador Chuck Schumer, lamentou a decisão. "Era uma questão de escolher entre o país e Donald Trump, e 43 republicanos escolheram Trump", disse Schumer.

O ex-presidente reagiu imediatamente, saudando o fim da "maior caça às bruxas" da história dos Estados Unidos. Ele deixou claro sua intenção de continuar a desempenhar um papel político e prometeu que continuará a defender "a grandeza da América". 

O único momento de confusão no julgamento ocorreu quando o relator da acusação, o congressista democrata Jamie Raskin, indicou que desejava acesso ao testemunho da legisladora republicana Jaime Herrera Beutler e às trocas de mensagens com o líder da minoria republicana na Câmara Baixa, Kevin McCarthy. Raskin também pediu as notas que a congressista tomou sobre uma conversa entre Trump e McCarthy durante o ataque ao Congresso.

Herrera Beutler – uma das poucas republicanas que votou pelo impeachment de Trump na Câmara dos Representantes – afirmou em um comunicado que McCarthy havia dito a ela que Trump expressou aprovação à multidão que invadiu o Capitólio. Finalmente, um acordo permitiu que a declaração de Herrera Beutler fosse lida no plenário e incluída na ata.

Tanto democratas quanto republicanos queriam encerrar o processo. O presidente Joe Biden quer que o Senado esteja disponível para votar as propostas prioritárias de sua agenda, incluindo o plano de alívio econômico.

Defesa alegou "caça às bruxas"

Durante a semana, legisladores que atuam como promotores alegaram que Trump deliberadamente agitou a tensão política depois de perder a reeleição para Joe Biden em 3 de novembro, com uma campanha de alegações infundadas denunciando fraude eleitoral.

A tomada do Capitólio, que deixou cinco mortos, ocorreu logo após uma grande manifestação organizada por Trump perto da Casa Branca, na qual ele pediu à multidão que marchasse para o Congresso, que se preparava para certificar a vitória de Biden. Os advogados de Trump afirmam que seu discurso foi "retórico" e que seus apelos para "lutar" não podiam ser interpretados literalmente.

Trump foi absolvido de um primeiro processo de impeachment em fevereiro de 2020. No ano anterior, a então oposição democrata abriu um processo contra ele sob acusação de abuso de poder e obstrução do Congresso. O motivo foi a revelação de que Trump tinha pedido ajuda ao presidente da Ucrânia para interferir na eleição eleitoral de novembro passado, investigando supostas atividades ilegais de um filho de Biden.   

Com informações da AFP

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