Trump pode ser absolvido de impeachment por senadores já neste sábado

Advogados de Donald Trump, Bruce Castor e Michael van der Veen, caminham no Senado nesta sexta-feira (12/02/2021).
Advogados de Donald Trump, Bruce Castor e Michael van der Veen, caminham no Senado nesta sexta-feira (12/02/2021). AFP - POOL
Texto por: RFI
4 min

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ser absolvido já neste sábado (13) do pedido de impeachment movido contra ele pela Câmara dos Representantes. A sessão no Senado para analisar o processo será retomada às 10h na hora local (11h em Brasília).

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Para passar, o pedido de destituição tardia precisa contar com o voto de pelo menos 17 republicanos, além dos 50 democratas. Uma maioria de dois terços é necessária para condenar o ex-presidente. Mas como ele desfruta do apoio leal da direita, a sua absolvição torna-se provável na Casa. Numa primeira apreciação sobre a constitucionalidade do pedido, na abertura da análise na Casa, na terça-feira, apenas seis republicanos se mostraram favoráveis à aprovação do processo.

Trump é julgado por ter incitado manifestantes violentos a invadir o Capitólio em 6 de janeiro, dia em que a vitória de Joe Biden nas últimas eleições foi definitivamente confirmada pelos parlamentares americanos. Os democratas também pedem a cassação dos direitos políticos do ex-presidente, e assim, torná-lo inelegível.

Defesa alega ato de “vingança”

A defesa de Trump alegou nesta sexta-feira (12) que a acusação feita pelos democratas por ser uma "vingança política" e "descaradamente inconstitucional". "Assim como outra caça às bruxas motivadas politicamente e empreendidas pela esquerda nos últimos anos, este julgamento político está absolutamente separado dos fatos, das evidências e dos interesses do povo americano", disse o advogado Michael Van Der Veen. "O Senado deveria votar de forma rápida e decidida para rejeitá-lo", pediu a defesa.

Em 13 de janeiro, uma semana antes de deixar a Casa Branca, o ex-presidente foi indiciado pela Câmara dos Representantes com a acusação de "incitação à insurreição" no ataque de seus partidários ao Capitólio, ocorrido uma semana antes. Na quinta-feira (11), os democratas da Câmara Baixa que atuam como promotores no processo concluíram sua argumentação após dois dias de apresentações, que incluíram vídeos chocantes da rebelião na sede do Congresso.

Os legisladores democratas alegaram que Trump alimentou deliberadamente a tensão nacional depois de perder a reeleição para Joe Biden, em 3 de novembro, com uma campanha de alegações infundadas denunciando fraudes eleitorais massivas.

No total, a defesa de Trump tem 16 horas, distribuídas em dois dias, para desenvolver sua argumentação. Mas, como sinal de seu interesse em uma votação rápida, os advogados do magnata disseram que ‘usarão apenas três ou quatro horas”.

Biden está "ansioso"

A tomada do Capitólio em 6 de janeiro ocorreu logo após uma grande manifestação organizada por Trump perto da Casa Branca, na qual ele pediu à multidão que marchasse para o Congresso, que então se preparava para certificar a vitória de Biden. Cinco pessoas, incluindo um policial e uma mulher baleada durante os tumultos, foram mortas em meio aos desencadeado no protesto.

Os "promotores" no julgamento de impeachment consideraram que o ex-presidente, que nunca expressou remorso por encorajar seus partidários, é tão perigoso que deveria ser banido novamente do cargo. Mas os advogados do ex-presidente afirmam que seu discurso foi retórico e que ele não pode ser responsabilizado pelos excessos de seus seguidores.

"Estou ansioso para ver o que meus amigos republicanos farão", disse Biden, que foi senador por 35 anos.

Com informações da AFP

 

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