Morre aos 90 anos ex-presidente argentino Carlos Menem

Em 2019, o ex-presidente argentino Carlos Menem foi absolvido no processo em que foi acusado de obstrução nas investigações sobre o atentado à associação judaica Amia, ocorrido em 1994.
Em 2019, o ex-presidente argentino Carlos Menem foi absolvido no processo em que foi acusado de obstrução nas investigações sobre o atentado à associação judaica Amia, ocorrido em 1994. AP Photo/Natacha Pisarenko
Texto por: RFI
4 min

O ex-presidente argentino Carlos Menem morreu neste domingo (14) em uma clínica de Buenos Aires aos 90 anos. Depois de governar o país por uma década nos anos 1990, ele foi o dirigente argentino que passou mais tempo à frente da Casa Rosada.

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O ex-chefe de Estado peronista, que exercia um mandato de senador pela província de La Rioja desde 2005, foi hospitalizado várias vezes nos últimos meses. Ativo na vida política do país, apesar da idade avançada, Menem ainda participou de reuniões por videoconferência no início da epidemia do coronavírus, no ano passado. No entanto, depois de contrair uma pneumonia em junho, e enfrentar complicações devido aos problemas de diabetes, ele não conseguiu acompanhar a histórica votação no Senado da lei do aborto, em dezembro. Seu estado de saúde já estava bastante debilitado.  

"Com profundo pesar soube da morte de Carlos Saúl Menem. Sempre eleito na democracia, foi governador de La Rioja, presidente da Nação e Senador Nacional. Na ditadura foi perseguido e preso. Todo o meu carinho para (sua primeira esposa) Zulema, (sua filha) Zulemita e todos os que hoje choram por ele", escreveu no Twitter o presidente Alberto Fernández, de linha peronista assim como o ex-presidente.

O governo argentino decretou três dias de luto pelo falecimento do ex-presidente, que será velado no Congresso.

"Ele estava acompanhado por toda a família e foi embora segurando a mão da mãe", declarou emocionada sua filha Zulemita, ao deixar o hospital. Além disso, ela indicou que o pai será sepultado no cemitério islâmico de Buenos Aires próximo ao túmulo de seu filho Carlos, falecido em 1995 em um acidente de helicóptero que nunca foi esclarecido.

"Ele vai descansar no cemitério islâmico com meu irmão, embora professasse a religião católica, para ficar com meu irmão", disse Zulemita.

"Carisma enorme"

Nascido na província de La Rioja, Menem governou a Argentina entre 1989 e 1999, com um programa neoliberal. Ele impulsionou a reforma da Constituição em 1994, que introduziu a reeleição presidencial imediata, além de remover o requisito de professar a religião católica a quem exerce a liderança do Estado.

"Tinha um carisma enorme", disse o presidente Fernández hoje em uma entrevista ao canal C5N.

Menem privatizou a maioria das empresas públicas argentinas e implementou uma taxa de câmbio em paridade com o dólar, um sistema que produziu reflexos positivos inicialmente, mas que implodiu em 2001, culminando na pior crise econômica da história do país.

"Não conhecíamos o Menem neoliberal na época, porque não foi tema de sua campanha (eleitoral)", lembrou Fernández. "É preciso reconhecer seu valor e seu apoio sempre à democracia. Quando veio a ditadura, ficou preso por anos", destacou o presidente.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, também o homenageou. "Hoje morreu o presidente Carlos Menem, que marcou a década de 90 na Argentina e foi um bom amigo do Chile", escreveu no Twitter. "Minha solidariedade à sua família e ao povo argentino e que Deus receba sua alma".

Menem também indultou os máximos responsáveis da última ditadura (1976-1983) que haviam sido processados e membros de organizações de guerrilha.

O peronista foi investigado judicialmente em vários casos por suspeita de corrupção. Ele chegou a ser colocado em prisão domiciliar preventiva em 2001, em um julgamento por contrabando de armas para a Croácia e o Equador, mas foi libertado semanas depois por decisão do Tribunal Supremo da Justiça. Posteriormente, foi absolvido das acusações por prescrição de prazo. O processo tramitou na Justiça durante 20 anos. 

A jurisdição o esquivou da prisão nos julgamentos que enfrentou, entre eles um por encobrir o atentado contra a associação judaica Amia em 1994, que causou 85 mortes. Em 2019, recebeu uma nova condenação a três anos por peculato, sem cumprir a pena devido à sua imunidade como senador.

 

O ex-presidente teve três filhos de dois casamentos, o primeiro com Zulema Yoma e o segundo com a ex-miss Universo Cecilia Bolocco. Com Zulema teve dois filhos: Zulemita e Carlos. Com Bolocco teve Máximo.

Com informações da AFP

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