Peru: escândalo gera demissão de ministros que furaram fila da vacina contra a Covid-19

A ministra das Relações Exteriores peruana, Elizabeth Astete, anunciou sua demissão no domingo (14).
A ministra das Relações Exteriores peruana, Elizabeth Astete, anunciou sua demissão no domingo (14). Luis IPARRAGUIRE Peruvian Presidency/AFP/File
Texto por: RFI
4 min

O "vacinagate", nome dado ao escândalo envolvendo personalidades do Peru, suscitou uma onda de indignação no país. Em plena epidemia, os peruanos descobriram, neste domingo (14), que vários representantes do governo conseguiram se vacinar discretamente, quando o imunizante ainda não estava nem mesmo disponível para o público.  

Publicidade

Wyloën Munhoz-Boillot, correspondente da RFI em Lima

A ministra das Relações Exteriores peruana, Elizabeth Astete, anunciou sua demissão neste domingo, depois de ter reconhecido que furar a fila da vacinação, antes do início da campanha, em janeiro, foi "um erro grave". A demissão foi aceita pelo presidente interino Francisco Sagasti, que disse estar "indignado e furioso." 

A chefe da diplomacia peruana foi a segunda ministra a pedir demissão. Na sexta-feira (12), o ex-presidente Martin Vizcarra declarou que ele e sua família conseguiram se vacinar no mês de outubro, pouco antes de sua destituição do Parlamento.

Na época ele argumentou que teria participado dos testes clínicos, o que foi desmentido pela universidade encarregada dos estudos do imunizante do laboratório chinês Sinopharm. De acordo com a imprensa peruana, o ex-chefe de Estado teria sido vacinado antecipadamente. Duas mil doses foram fornecidas pelo laboratório para a imunização dos profissionais da saúde encarregados dos testes clínicos.

Um inquérito foi aberto para esclarecer o caso. O presidente peruano também assegurou que todos os funcionários envolvidos seriam demitidos.

Novo ministro

Neste sábado (13), O médico Oscar Ugarte assumiu o cargo de ministro da Saúde do Peru, após a renúncia de Pilar Mazzetti em meio à polêmica. Ugarte, de 76 anos, foi empossado pelo presidente interino Francisco Sagasti em uma breve cerimônia. Ele é o quinto responsável pela pasta de Saúde desde o início da pandemia no Peru, há 11 meses.

"Quando há uma situação de crise, o que se tenta fazer é trazer um jogador experiente", explicou Sagasti ao canal RPP, referindo-se ao fato de Ugarte ter ocupado o mesmo cargo em 2008-2011, durante o segundo mandato do falecido presidente Alan García.

Minutos antes de Ugarte tomar posse, Sagasti confirmou a renúncia de sua antecessora. "A ministra Pilar Mazzetti apresentou sua renúncia na noite passada", disse o presidente, confirmando uma versão divulgada na noite de sexta-feira na televisão pública e em outros meios de comunicação peruanos.

Ugarte assume o cargo enquanto o Peru tenta lidar com a segunda onda da pandemia. Segundo o balanço oficial, o país registra o recorde de 14.333 pacientes com Covid-19 em seus hospitais.

O próprio Ugarte foi infectado em junho passado. "A Covid-19 bate forte. Você se sente como se estivesse em um buraco porque está dependendo das coisas mais básicas, o oxigênio e a capacidade de respiração", revelou, após superar a doença.

O Peru atravessa uma grave crise sanitária, com hospitais saturados e falta de oxigênio. O país recebeu, até agora, apenas um milhão de doses da vacina chinesa e lançou sua campanha na última terça-feira (9), com prioridade para os profissionais da saúde.

(RFI e AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.