Covid: campanha de vacinação em massa nos EUA começa a apresentar efeitos positivos

Joe Biden cumpriu a promessa de vacinar 100 milhões de pessoas nos 100 primeiros dias de governo e espera que, até 4 de julho deste ano, todos os adultos americanos estejam imunizados.
Joe Biden cumpriu a promessa de vacinar 100 milhões de pessoas nos 100 primeiros dias de governo e espera que, até 4 de julho deste ano, todos os adultos americanos estejam imunizados. AP - Matt Rourke

As autoridades que comandam a luta contra a pandemia nos Estados Unidos se mostraram esperançosas nesta quarta-feira (23), ao observarem os primeiros efeitos positivos da campanha de vacinação em massa contra a Covid-19. Mesmo se o número de novos casos segue estagnado, o país registra uma redução na hospitalização de idosos e nos contágios entre profissionais da saúde.

Publicidade

"Estamos vendo uma diminuição significativa no número de visitas à sala de emergências de pessoas maiores de 65 anos, já que esta faixa etária já foi vacinada", disse à imprensa Rochelle Walensky, diretora dos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC). Segundo os últimos dados, 502 pessoas maiores de 65 anos foram hospitalizadas por Covid-19 na semana que acabou em 13 de março, em comparação com 3.384 na semana que acabou em 9 de janeiro, números que representam uma queda de cerca de 85%.

Mais de 38 milhões de pessoas nesse grupo, ou quase 70% dos maiores de 65 anos, já receberam ao menos uma dose de uma das três vacinas autorizadas nos Estados Unidos, enquanto 43% estão completamente vacinados.

"Estou entusiasmada com o ritmo da vacinação", afirmou Walensky. Atualmente, os Estados Unidos administram uma média de 2,5 milhões de doses por dia.

O médico Anthony Fauci, principal conselheiro de saúde de do presidente Joe Biden, apresentou os resultados de dois estudos publicados na revista científica New England Journal of Medicine (NEJM) nesta semana, que comprovam a alta eficácia das vacinas no mundo real. O primeiro analisou a quantidade de casos entre 23.234 membros da equipe de um grande hospital em Dallas, Texas. Em um período de um mês e meio, entre quase 9.000 funcionários não vacinados houve apenas 234 infecções com coronavírus (2,61%). Enquanto isso, o estudo registrou 112 casos entre os 6.144 que receberam uma dose (1,82%) e apenas quatro dos 8.121 completamente vacinados (0,05%).

"Esses resultados devem dar um pouco de esperança para todos e servir como um catalisador para que todos arregacem as mangas quando a vacina estiver disponível", disse Walensky.

O segundo estudo encontrou uma taxa semelhante de infecções entre os trabalhadores da saúde vacinados em dois hospitais da Califórnia.

"Na esquina" para vencer a pandemia

Questionado se o país finalmente estava dando a tão esperada virada para o fim da epidemia, Fauci foi cauteloso: "Estamos na esquina, mas resta saber se vamos virá-la ou não", disse.

De fato, o impacto das vacinas na curva de contaminação geral ainda não se reflete nos números: os Estados Unidos estão estagnados em uma média de 55.000 novos casos registrados por dia. Os especialistas culpam as variantes e o rápido levantamento das restrições em muitos estados. "Enquanto estivermos nesse nível, não acredito que possamos declarar vitória", alertou Fauci.

O presidente Joe Biden cumpriu na semana passada a promessa de vacinar 100 milhões de pessoas nos 100 primeiros dias de seu governo. O chefe da Casa Branca espera que, até 4 de julho deste ano, todos os adultos americanos estejam imunizados contra a Covid-19

(Com informações da AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.