Biden apresenta plano de investimentos em obras de infraestrutura de quase US$2 trilhões

O presidente americano Joe Biden quer fazer das obras de infraestruturas o carro-chefe da recuperação econômica, para isso vai apresentar um plano de quase US$ 2 bi de investimentos.
O presidente americano Joe Biden quer fazer das obras de infraestruturas o carro-chefe da recuperação econômica, para isso vai apresentar um plano de quase US$ 2 bi de investimentos. JIM WATSON AFP

O presidente norte-americano Joe Biden quer fazer das obras em infraestrutura o carro-chefe da recuperação econômica americana e, para isso, apresenta nesta quarta-feira (31) um plano de investimentos de quase US$ 2 trilhões. Além de criar milhões de empregos, o objetivo é fazer frente à China e lutar contra a crise climática.

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A primeira fase do programa “Build Back Better” (Reconstruir melhor), que será apresentado durante um discurso em Pittsburgh, na Pensilvânia, deve detalhar investimentos ao longo de oito anos. Essa etapa prevê a inversão de US$ 620 milhões em transportes, permitindo modernizar mais de 32.000 quilômetros de estradas e de reformar 10.000 pontes em todo o país.

Os investimentos gigantesos serão financiados principalmente pelo aumento de impostos das empresas, que passarão de 21% a 28%.

De acordo com a Casa Branca, as taxas continuarão, mesmo após a alta, no menor nível desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção dos anos sob a reforma fiscal de Trump, aprovada em 2017.

A nova ofensiva legislativa acontece pouco depois da adoção pelo Congresso americano de um plano de reaquecimento da economia baseado na pandemia de Covid-19, também de quase US$ 2 bilhões.

Mas o discurso de Pittsburgh será apenas o começo de uma dura batalha no Congresso, cujo resultado é incerto. A maioria democrata é pequena e as tratações serão difíceis para Biden. As primeiras vozes dissonantes já surgiram no lado mais à esquerda do partido democrata. Para a senadora de Nova York Alexandria Ocasio Cortez, as quantias propostas não são suficientes. “É necessário um envelope mais importante”, postou no Twitter.

Para o senador republicano do Wyomin John Barrasso, ao contrário, o projeto não passa de um “cavalo de Tróia” para permitir aos democratas “gastar mais e aumentar os impostos”.

A única certeza é que os próximos meses colocarão à prova as capacidades de negocidor do presidente democrata, grande conhecedor dos mecanismos de Washington e “velho lobo” da política, segundo o ex-presidente Barack Obama.

Urgência

“O presidente quer mostrar claramente que ele tem um plano e que está aberto à discussões”, destaca um responsável da Casa Branca. “Mas ele não comprometerá a urgência de agir” e a necessidade de ser ambicioso para “'reimaginar' uma nova economia americana”, acrescentou.

O plano prevê ampliar “a revolução de veículos elétricos” com, por exemplo, a transformação de 20% dos célebres ônibus amarelos escolares. Também tem o objetivo de construir novas estruturas mais resistentes às evoluções ligadas às mudanças climáticas.

A ideia de restaurar ou construir estradas, pontes, ferrovias, portos e aeroportos, tem apelo no grande público, porque as infraestruturas dos Estados Unidos datam, na maioria, de 1950 e estão deterioradas. Além disso, este é um terreno onde democratas e republicanos podem se entender e conseguir um consenso político.

Trump e Obama também fizeram grandes promessas sobre o tema, que não foram concretizadas.

O ex-rival de Biden nas primárias democratas, agora ministro dos Transportes Pete Buttigieg, garante que tudo será diferente dessa vez. “Eu acho que temos uma ocasião extraordinária com o apoio dos dois partidos para pensar grande e provar audácia sobre as infraestruturas”, afirma. “Os americanos não precisam que expliquemos que devemos agir para as infraestruturas, e a realidade é que não podemos separar a dimensão climática” do desafio.

Se o entusiasmo e o capital político de Buttigieg são uma realidade, a tarefa será difícil. A Câmara de comércio americana, que até agora acolheu de maneira positiva as decisões de Biden, manifestou nesta quarta-feira seu desacordo. A instituição reconheceu como legítima a vontade de fazer das infraestruturas uma prioridade, mas acredita que o presidente democrata se engana “perigosamente” sobre a maneira de financiar seu ambicioso programa.

“Nos opomos totalmente à alta de impostos proposta. Ela diminuirá a retomada econômica e fará dos Estados Unidos um país menos competitivo na cena internacional, ou seja, exatamente o inverso dos objetivos deste plano”, afirma.

(Com informações da AFP)

* valor foi corrigido de US$ 2 bilhões para US$ 2 trilhões 

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