Legista contraria tese da defesa de policial e diz que morte de Floyd foi causada por violência

Mural em homenagem a George Floyd em Nova York.
Mural em homenagem a George Floyd em Nova York. Angela Weiss AFP

Ao final da segunda semana de julgamento do policial Derek Chauvin, acusado pelo assassinato de George Floyd, uma declaração do médico forense que conduziu a autópsia no caso contrariou a tese de defesa do agente. Andrew Baker disse que problemas cardíacos e uso de drogas não foram "as causas diretas" da morte de Floyd, que foi provocada pela violência de sua detenção, enfatizou o legista.

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A imobilização imposta pela polícia e a compressão em seu pescoço foram "demais para George Floyd, considerando sua condição cardíaca", explicou Andrew Baker no tribunal de Minneapolis que julga Chauvin, um policial branco de 45 anos. O agente é acusado de ter matado Floyd em 25 de maio de 2020, mantendo seu joelho sobre o pescoço do detido durante quase dez minutos.

O afro-americano gritou várias vezes "não consigo respirar" para os três policiais que o mantiveram deitado de bruços no asfalto, com as mãos algemadas por trás, exercendo pressão sobre suas costas, pescoço e costelas. Para a acusação, essa pressão foi o que causou a morte de Floyd, que perdeu a consciência por falta de oxigênio até morrer.

A cena, filmada por espectadores, percorreu o mundo e gerou uma enorme onda de protestos contra o racismo e a brutalidade policial em todo o mundo. Floyd, de 46 anos, tinha um coração maior do que o normal devido à hipertensão, afirmou Baker. "Seu coração precisava de mais oxigênio" porque suas artérias coronárias haviam se estreitado, disse ele.

O esforço físico e a dor "desencadearam os hormônios do estresse, a adrenalina fez o coração bater mais rápido para obter mais oxigênio", mas o coração não conseguiu acompanhar e se rendeu, explicou o legista.

Sem rastros de Covid-19

O advogado de Chauvin, Eric Nelson, argumenta que seu cliente não causou a morte de Floyd, que teria sucumbido a uma overdose combinada com problemas cardíacos. A alegação se baseia a presença de fentanil, um potente opioide, e metanfetamina, um estimulante, descobertos em seu organismo durante a autópsia. O consumo de fentanil também pode causar deficiência de oxigênio, apontou Nelson.

Baker admitiu que a metanfetamina acelera o coração, mas acrescentou que a quantidade da droga detectada foi muito pequena. Ele também negou a tese desenvolvida pela defesa de que Floyd estava deprimido após ser infectado pelo coronavírus. "Seus pulmões não tinham sequelas da Covid", declarou. O médico confirmou que se trata de um homicídio.

Anteriormente, os jurados haviam visto fotos do rosto, dos ombros e das mãos inchadas de Floyd, tiradas durante a autópsia. O irmão da vítima, Rodney, permaneceu impassível enquanto observava por um longo tempo uma dessas fotos. "É difícil, é difícil", disse a irmã de George Floyd, Bridgett, ao site de notícias The Shade Room.

Mas "quando este julgamento terminar e Derek (Chauvin) for declarado culpado, teremos conseguido justiça para todas as famílias" que não puderam obtê-la para seus entes queridos, frisou ela.

Com informações da AFP

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