Chefe da polícia diz que morte de jovem negro em Mineápolis foi “um acidente”

Protestos em Brooklyn Center, nos arredores de Mineápolis, após a morte do jovem negro Daunte Wright durante um controle da polícia, em 11 de abril de 2021.
Protestos em Brooklyn Center, nos arredores de Mineápolis, após a morte do jovem negro Daunte Wright durante um controle da polícia, em 11 de abril de 2021. © Stephen Maturen/Getty Images/AFP

A morte de Daunte Wright foi “acidental”, segundo o chefe da polícia de Brooklyn Center, Tim Gannon, durante uma coletiva de imprensa. Wright, de 20 anos, foi morto por um agente que teria confundido sua arma com o Taser. A morte do jovem negro ocorre em Mineápolis, em meio ao histórico julgamento de Derek Chauvin pela morte de George Floyd.

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Daunte Wright foi morto em uma abordagem por infração de trânsito, em Brooklyn Center, nos arredores de Mineápolis, na noite de domingo (11).

Gannon apresentou a gravação de uma câmera de rua da polícia para demonstrar que a morte de Wright teria sido um acidente. Nas imagens é possível ver dois policiais que retiram o jovem de seu veículo e começam algemá-lo.

Wright parece resistir e tentar voltar para seu carro. Uma policial então grita “taser, taser”, para indicar que vai atirar, mas o que se ouve é um tiro. A agente, que segundo seu chefe era “experiente”, foi suspensa. O nome dela ainda não foi divulgado.

Manifestações

A morte de Wright reaviva a revolta em Mineápolis, cidade que foi palco, após a morte de George Floyd, em 25 de maio do ano passado, de intensos confrontos entre polícia e manifestantes.

Protestos aconteceram nas proximidades do posto de polícia de Brooklyn Center, no domingo. O prefeito declarou um toque de recolher e soldados da Guarda nacional foram mobilizados para garantir a calma. Mas novas manifestações estão previstas para a noite de segunda-feira (12).

A morte de Wright causou comoção em todo o país. “Nós estamos tristes de tomar conhecimento da perda de mais uma vida nas mãos das forças de ordem”, comentou a porta-voz da Casa Branca Jen Psaki.

A organização de defesa de direitos civis ACLU condenou um novo “exemplo repugnante de violência policial”, lembrando que mais de 260 pessoas morreram nas mãos de agentes desde o começo do ano no país.

O governador de Minessota, Tim Walz, disse que acompanha a situação de perto. “Nosso estado chora outra vez a perda da vida de um homem negro pelas mãos da polícia”, tuitou.

O prefeito de Brooklyn Center fez um paralelo entre o caso George Floyd e Wright. “Isto não poderia ter acontecido em um pior momento”, declarou Mike Elliott. “O mundo inteiro olha nossa comunidade que está abalada desde a morte de George Floyd e ansiosa desde o começo do processo de Derek Chauvin.”

Julgamento

Com o clima tenso, o advogado de Derek Chauvin pediu na segunda-feira ao juíz Peter Cahill, que preside o processo de George Floyd, para colocar imediatamente os jurados em isolamento, para impedir que sofram pressões. O magistrado negou o pedido, alegando que as perturbações não são motivo para “preocupações suplementares”.

Em seguida, a acusação começou o interrogatório de um cardiologista que afirmou que Floyd teve “uma parada cardíaca devido à falta de oxigênio”, relacionada à posição na qual Chauvin o manteve durante 10 minutos. O advogado do policial sustenta que Floyd sucumbiu a uma overdose combinada a problemas cardíacos.

A Procuradoria ainda deve convocar um professor de Direito, especialista no uso da força pela polícia, além de um irmão da vítima, antes de deixar o lugar para a defesa.

Nos Estados Unidos, os policiais raramente são condenados por violências cometidas no cumprimento de suas funções. Por isso, o veredito do caso Floyd é muito esperado, com o temor de novas manifestações caso Chauvin não seja punido.

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