Sete religiosos católicos, incluindo dois franceses, são sequestrados no Haiti

Vista de Canaã, bairro de Croix-des-Bouquets, no Haiti (23/12/2019).
Vista de Canaã, bairro de Croix-des-Bouquets, no Haiti (23/12/2019). AP - Dieu Nalio Chery

Sete religiosos católicos, entre eles dois franceses, foram sequestrados no domingo (11) no Haiti, informou à AFP o porta-voz da Conferência Episcopal do país caribenho, que enfrenta uma situação crescente de insegurança. 

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Os integrantes do grupo foram sequestrados pela manhã, em Croix-des-Bouquets, perto de Porto Príncipe, enquanto "se dirigiam à instalação de um novo sacerdote", contou o padre Loudger Mazile, segundo o qual os sequestradores exigiram US$ 1 milhão de resgate. 

A polícia suspeita que um grupo armado atuante na região esteja por trás do sequestro, segundo uma fonte interna. Procurada pela AFP, a embaixada da França não comentou o caso. 

Os sequestros aumentaram nos últimos meses em Porto Príncipe e no interior do Haiti, o que mostra o poder crescente dos grupos armados no país. No mês passado, o governo haitiano decretou estado de emergência por um mês em alguns distritos da capital e numa região do interior, a fim de "restabelecer a autoridade do Estado" em áreas controladas por quadrilhas. 

Vácuo político

A violência e a instabilidade política geraram protestos recentes nas ruas da capital. Os sequestros afetam os mais ricos, mas também pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, que representam a maioria da população. 

O Haiti, país mais pobre das Américas, está há meses mergulhado em uma grave crise política. O presidente Jovenel Moise estima que seu mandato será concluído em fevereiro de 2022, enquanto, para a oposição e parte da sociedade civil, seu governo terminou em fevereiro passado. 

O desacordo se deve ao fato de Moise ter sido eleito em uma votação anulada por fraude e reeleito um ano depois. Sem um parlamento que funcione, em 2020 a crise se agravou e o presidente governa por decreto, o que alimenta uma desconfiança crescente envolvendo a sua administração. 

Em meio ao contexto político instável, Moise convocou um referendo constitucional para o próximo mês de junho. 

(com informações da AFP)

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