EUA interrompem uso da vacina da Jonhson & Johnson após casos de coágulos

Seis casos graves de coágulos sanguíneos foram registrados em pessoas vacinadas com o imunizante da Johnson & Johnson nos Estados Unidos.
Seis casos graves de coágulos sanguíneos foram registrados em pessoas vacinadas com o imunizante da Johnson & Johnson nos Estados Unidos. AP - Szilard Koszticsak

As autoridades sanitárias americanas recomendaram nesta terça-feira (13) uma pausa na utilização da vacina contra a Covid-19 da Johnson & Johnson. O objetivo é investigar a aparição de casos graves de coágulos sanguíneos em pessoas imunizadas com o produto. 

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A agência americana de alimentos e medicamentos (FDA, sigla em inglês) indicou, em um comunicado, que "está estudando seis casos registrados nos Estados Unidos de pessoas que desenvolveram formas graves de coágulos sanguíneos depois de terem recebido a vacina Janssen. "Enquanto esse procedimento estiver sendo realizado, recomendamos uma pausa", ressalta o texto.

Os Centros americanos de luta e prevenção de doenças (CDC, sigla em inglês), formam a principal agência federal de saúde pública dos Estados Unidos. Seus representantes se reunirão nesta quarta-feira (14) para avaliar os casos. Em seguida, a FDA dará seu parecer sobre a questão. 

O imunizante Janssen, da Johnson & Johnson, que tem a vantagem logística de ser administrada em dose única, foi autorizado com urgência nos Estados Unidos no final de fevereiro, após os da Pfizer/BioNTech e Moderna.

Assim como o imunizante da Oxford/AstraZeneca, a Janssen usa vetores de adenovírus, que causam o resfriado comum. O material genético da proteína Spike, que o SARS-Cov-2 usa para entrar nas células, é colocado dentro do adenovírus, usado como transportador.

Quando a pessoa recebe a vacina, o organismo produz anticorpos e "uma memória no corpo contra o coronavírus e ensina o próprio corpo a reconhecer e atacar o vírus quando a pessoa entrar em contato com ele", explica o laboratório em seu site.

Reação extremamente rara

Mais de 6,8 milhões de doses da vacina da Johnson & Johnson já foram aplicadas nos Estados Unidos. As autoridades americanas salientam, no entanto, que esse tipo de efeito colateral é, até o momento, "extremamente raro".

O anúncio da FDA ocorre depois que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) indicou, na semana passada, que está investigando a relação entre casos de trombose em pessoas vacinadas com o produto da Johnson & Johnson. A União Europeia autorizou esta vacina, que deve começar a ser utilizada em breve no bloco.

Além deste imunizante, o fármaco do laboratório anglo-sueco AstraZeneca também suscitou uma forte polêmica na Europa após algumas pessoas vacinadas desenvolverem coágulos sanguíneos, alguns deles fatais.

A utilização do produto chegou a ser suspensa durante alguns dias em meados de março, mas foi retomada na maioria dos países europeus depois que a EMA e a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciaram que essas reações são ínfimas se comparadas às milhões de pessoas imunizadas. 

A EMA disse que depois de investigar os casos relacionados à vacina da Johnson & Johnson, "vai decidir se é ou não necessária uma ação regulatória". Isso pode resultar na notificação de possíveis efeitos colaterais.

(Com informações da AFP)

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