Presidente argentino volta à Europa em busca de apoio para renegociar dívidas

O presidente português Marcelo Rebelo de Sousa (D) dá as boas-vindas ao presidente argentino Alberto Fernandez, no Palácio de Belém, em Lisboa, durante a visita oficial do argentino a Portugal, em 9 de maio de 2021.
O presidente português Marcelo Rebelo de Sousa (D) dá as boas-vindas ao presidente argentino Alberto Fernandez, no Palácio de Belém, em Lisboa, durante a visita oficial do argentino a Portugal, em 9 de maio de 2021. AFP - CARLOS COSTA

O presidente da Argentina Alberto Fernández está uma vez mais na Europa com o objetivo de obter apoio político para negociações da dívida de seu país. Ele começou o périplo neste domingo (9) em Portugal, antes de ir à Espanha, França, Itália e ao Vaticano.

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Com informações de Théo Conscience, correspondente da RFI em Buenos Aires, e AFP.

A Argentina deve saldar, até o fim deste ano, uma dívida de 2,38 bilhões de dólares com o Club de Paris – um grupo informal de credores públicos – e outra de aproximadamente 3,5 bilhões de dólares com o FMI.

O problema é que os cofres do país estão vazios e a Argentina precisa de apoios. Emília Val é socióloga especialista no estudo da reestruturação de dívidas soberanas. De acordo com ela, “a ideia é ir nos países acionistas ou que fazem parte destes organismos e buscar apoio para reforçar a posição da Argentina nas negociações com os organismos”.  

Medidas de austeridade

Fernández deve pedir prazos no pagamento, principalmente ao FMI, para quem a Argentina deve ao todo 45 bilhões de dólares. Uma dívida herdada de seu antecessor, Maurício Macri, que o presidente argentino chama de “impagável e insustentável” desde sua eleição em 2019.

“A estratégia de Fernández tem dois aspectos: mostrar sua vontade de pagar, mas também destacar as restrições da Argentina em um contexto de crise econômica agravada pela pandemia”, diz Val.  

A crise económica que o país atravessa piorou de maneira dramática com a pandemia de Covid-19, com uma queda de 9,9% do PIB em 2020, aumento da pobreza e do desemprego.  

Obter um prazo para o pagamento das dívidas é urgente, já que o presidente argentino quer evitar a aplicação das impopulares medidas de austeridade antes das eleições legislativas parciais de outubro.

Fernandez ficará três semanas na Europa. Ele encontra com o papa Francisco na quinta-feira (13), mesmo dia em que Kristalina Georgieva, diretora do FMI, estará no Vaticano para um seminário internacional.

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