Eleições no México: presidente busca manter maioria na Câmara, enquanto traficantes espalham terror

Policial armado em frente a uma sede local do Intituto Nacional Eleitoral (INE) de Chilpancingo de los Bravos, capital do estado de guerreiro.
Policial armado em frente a uma sede local do Intituto Nacional Eleitoral (INE) de Chilpancingo de los Bravos, capital do estado de guerreiro. © Pedro Pardo/AFP

O México realiza neste domingo (6) as maiores eleições de sua história, para a escolha de prefeitos, 15 governadores – dos 32 com mandatos no país – e 500 deputados da Câmara Baixa do Congresso. Milhares de policiais e militares estão mobilizados na segurança das sessões eleitorais, devido aos incessantes ataques de narcotraficantes a políticos e candidatos.

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Marcados pela pandemia do coronavírus e pela violência, 95 milhões de mexicanos vão às urnas nestas eleições consideradas cruciais para o presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador, de 67 anos. Eleito em 2018 para um mandato de seis anos, AMLO, como é conhecido pelas iniciais de seu nome, conta com uma popularidade de 60%, conquistada com a adoção de amplos programas sociais. Na votação de hoje, ele busca manter o controle da Câmara dos Deputados, com o mesmo discurso de combate à corrupção, para dar continuidade à sua agenda de reformas antineoliberais. 

A aliança dominante na Câmara, liderada pelo partido Morena, do líder mexicano, tem maioria qualificada, ou seja, dois terços dos 500 deputados. Mas de acordo com uma pesquisa da consultoria Oraculus, o partido no poder poderia perder esse domínio, embora por pouco, ao passar de 333 para 322 cadeiras. Até agora, López Obrador e seus aliados precisaram apenas buscar acordos com a oposição no Senado, que controla dois terços das cadeiras. Mas se as previsões se confirmarem, o governo também precisará negociar seus projetos de lei na Câmara dos Deputados.

Por outro lado, o recuo da epidemia de Covid-19, nas últimas semanas, poderia favorecer os candidatos próximos do governo. Com quase 229 mil mortos pela infecção viral, o México continua sendo o quarto país mais afetado pela pandemia em números absolutos e o 19º por 100 mil habitantes, segundo dados levantados pela agência AFP ao lado de fontes oficiais.

O país de 126 milhões de habitantes, segunda economia da América Latina, registrou uma queda do PIB de 8,5% em 2020, em meio ao rígido controle dos gastos do governo. O Banco Central autônomo espera uma recuperação entre 6 e 7% neste ano, agora que 22 milhões de mexicanos foram vacinados.

Violência eleitoral

As eleições acontecem em um clima de violência após o assassinato de 91 políticos desde setembro passado, quando começou o processo eleitoral. Destes, 36 eram candidatos ou pré-candidatos, a maioria para cargos municipais. Essa escalada faz parte do banho de sangue que o país vem sofrendo desde 2006, quando o governo da época lançou uma polêmica operação militar contra os cartéis de drogas.

Na noite de sexta-feira (4), René Tovar, candidato a prefeito de Cazones de Herrera (estado de Veracruz, leste), foi assassinado. O crime se soma ao sequestro de Marilú Martínez, candidata à prefeitura de Cutzamala de Pinzón (Guerrero, sul), e ao desaparecimento de Leobardo Torres, postulante à administração municipal de San Francisco de Borja (Chihuahua, norte).

López Obrador, que sustenta que o crime organizado busca influenciar as eleições para ampliar seu poder, afirma que a segurança do pleito está garantida. No entanto, em cidades do estado de Jalisco, no oeste do país, onde operam poderosos cartéis, os eleitores estão com medo de participar.

Na votação de 2018, 48 candidatos foram assassinados.

Com informações da AFP

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