Fim da escravidão ganha feriado nos EUA, com apoio de democratas e republicanos

O Congresso dos Estados Unidos aprovou o "Juneteenth" como feriado nacional para comemorar o fim da escravidão no país.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou o "Juneteenth" como feriado nacional para comemorar o fim da escravidão no país. AP - Rogelio V. Solis

A data do fim da escravidão nos Estados Unidos vai finalmente se tornar um feriado nacional. O texto, proposto por dois representantes dos partidos democrata e republicano, foi aprovado pelos congressistas na quarta-feira (16).

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Com informações de Loubna Anaki, correspondente da RFI em Nova York, e agências

Em um raro momento de união entre democratas e republicanos, o novo feriado federal foi aprovado. Falta apenas a assinatura do presidente americano, Joe Biden, para sancionar a lei. A iniciativa visa marcar a data da emancipação dos últimos escravos dos Estados Unidos, no estado do Texas, em 19 de junho de 1865, dois anos e meio após a abolição da escravatura por Abraham Lincoln. 

A Câmara dos Representantes aprovou a lei por 415 votos a favor e 14 contra. Na véspera, o texto havia sido aprovado por unanimidade no Senado. 

Por coincidência, foram dois congressistas do Texas, a democrata Sheila Jackson e o republicano John Cornyn, os autores da proposta de tornar o 19 de junho, ou o "Juneteenth", um feriado nacional: uma união bipartidária rara. No ano passado, o texto foi bloqueado por um senador republicano. 

Diante de uma foto antiga de um homem negro com as costas dilaceradas, Sheila Jackson Lee falou no plenário sobre a "longa jornada" até a votação. "Mas aqui estamos hoje, livres para votar pelo 'Juneteenth' como feriado nacional da independência, um feriado federal para os Estados Unidos", declarou.

"Reconhecer e aprender com os erros do passado é essencial para seguirmos em frente", afirmou o senador republicano John Cornyn.

Proclamação de Emancipação

O presidente Abraham Lincoln havia ordenado o fim da escravidão, ao assinar a Proclamação de Emancipação em 1º de janeiro de 1863. Porém, durante a Guerra Civil (1861-1865), a escravidão continuou nos estados confederados do sul dos Estados Unidos.

O líder do exército confederado, Robert Lee, assinou sua rendição em 9 de abril de 1865. Levou mais de dois meses para que a notícia chegasse à pequena cidade de Galveston, no Texas, em 19 de junho.

O "Juneteenth" já era feriado em alguns estados do país, inclusive no Texas, mas até agora não havia sido designado como data federal. Desde o assassinato de George Floyd, os apelos em prol da aprovação deste projeto de lei se multiplicaram no país. Essa é frequentemente uma ocasião para a comunidade afro-americana comemorar sua história, com desfiles, espetáculos e reuniões de famílias e amigos. 

O dia 19 de junho "nos lembra de uma história marcada pela brutalidade e a injustiça, e nos lembra da responsabilidade que temos de construir um futuro de progresso para todos que honrem o ideal de igualdade dos Estados Unidos", disse a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi.

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