Nova-iorquinos votam em primárias do Partido Democrata que devem definir novo prefeito da cidade

Maya Wiley (foto) é uma das favoritas a vencer as primárias do Partido Democrata em Nova York, junto com Eric Adams e Kathryn Garcia.
Maya Wiley (foto) é uma das favoritas a vencer as primárias do Partido Democrata em Nova York, junto com Eric Adams e Kathryn Garcia. AP - Brittainy Newman

Os nova-iorquinos comparecem às urnas nesta terça-feira (22) para eleições primárias do Partido Democrata. O pleito, cujo resultado é incerto, deve definir o nome do próximo prefeito da maior metrópole dos Estados Unidos. Duas mulheres e um ex-capitão da polícia estão entre os favoritos.

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Com informações da correspondente em Nova York, Loubna Anaki e agências

Mesmo se a eleição municipal acontece apenas em novembro, todos os olhos estão voltados para esta primária, já que Nova York é tradicionalmente um reduto democrata e o vencedor do pleito desta terça-feira será certamente o novo prefeito da cidade. Os eleitores devem escolher entre um grupo diverso de 13 candidatos que almejam o cargo de Bill de Blasio, que deixa o poder com a popularidade em baixa. 

Eric Adams, um ex-policial negro, considerado moderado e presidente do distrito do Brooklyn, lidera as pesquisas das primárias. O principal tema de sua campanha é a luta contra a criminalidade.

Kathryn Garcia, outra moderada, e Maya Wiley, uma advogada negra especializada em direitos humanos que foi apoiada recentemente pela congressista Alexandria Ocasio-Cortez - estrela da ala mais progressista do Partido Democrata - também estão na disputa com um certo destaque. Em caso de vitória de uma delas, Nova York teria uma prefeita pela primeira vez na história.

“Eu votei para Kathryn Garcia em primeiro lugar e para Maya Wiley em segundo”, disse uma eleitora na saída das urnas. “Gostaria que uma mulher fosse eleita”, afirma.

Os moderados “Eric Adams e Kathryn Garcia, os dois candidatos que mais se destacam, se parecem muito. São uma espécie de ‘Biden local’, compara Jean-Eric Branaa, professor na universidade Paris-II-Panthéon-Assas especialista nos Estados Unidos. “Mas isso não representa a Nova York dos últimos anos, que elegeu um Bill de Blasio bastante progressista”, explica. Segundo ele, o pleito será uma disputa entre progressistas e centristas.

Desigualdade e violência no topo das preocupações

A pandemia de Covid-19, somada aos protestos motivados pela morte de George Floyd em maio de 2020 em Minneapolis, assim como os ataques contra americanos de origem asiática, evidenciaram as desigualdades raciais nesta metrópole de 8,5 milhões de habitantes.

"O crime é, de longe, o tema número um que Nova York e os nova-iorquinos enfrentam", resume Douglas Muzzio, professor de Ciência Política da Baruch College. "As pessoas percebem que a criminalidade está em alta (...) E, na mídia, elas são bombardeadas com crimes e atos criminosos nas ruas, no metrô", completa.

“Gostaria de poder dormir sem ter a impressão de viver em uma zona de guerra. Quando começam a atirar, fica difícil”, desabafa uma eleitora, em alusão aos tiroteios cada vez mais frequentes na cidade.

Prognósticos impossíveis

Um novo sistema de votação, que pede aos eleitores para classificar cinco candidatos por ordem de preferência, torna os prognósticos praticamente impossíveis. "Nenhum dos candidatos tem mais de um quarto do eleitorado. Levará semanas para contar os votos", calculou Douglas Muzzio.

A menos que um candidato consiga desde o início mais de 50% dos votos – um cenário muito improvável –, o que ficar na última posição será eliminado, e seus votos redistribuídos para sua segunda opção. E assim por diante com os demais aspirantes até que um candidato supere 50%. Com o sistema, o vencedor pode ser anunciado apenas em meados de julho.

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