Com hiperinflação, Venezuela irá cortar seis zeros de sua moeda

O Banco Central da Venezuela informou nesta quinta-feira (5) que irá cortar seis zeros da moeda nacional, o bolívar.
O Banco Central da Venezuela informou nesta quinta-feira (5) que irá cortar seis zeros da moeda nacional, o bolívar. AP - Fernando Vergara

Em um contexto de hiperinflação no país, o governo venezuelano decidiu retirar seis zeros de sua moeda, o bolívar, a partir 1º de outubro, anunciou por comunicado o Banco Central da Venezuela (BCV) nesta quinta-feira (5). “A partir de 1º de outubro, o Bolívar digital entrará em vigor, quando será aplicada uma nova escala monetária, que retira seis zeros da moeda nacional”, indica o texto. A mudança ocorre em um país onde a economia se tornou quase completamente dolarizada nos últimos meses.

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A maioria das transações na Venezuela é feita em dólares, para evitar a inflação, que ficou acima de 250% entre janeiro e maio deste ano.

O país já havia removido cinco zeros de sua moeda em agosto de 2019, quando a economia nacional já passava por uma crise sem precedentes. Antes um território rico em petróleo, a Venezuela viu seu PIB cair 80% desde 2013 e 65% das famílias vivem na pobreza.

O país vai imprimir novas cédulas para acompanhar a medida, pois a moeda quase desapareceu de circulação no país. Quando as trocas não são feitas em dólares, são realizadas digitalmente, com pagamentos por cartão ou transferências bancárias.

“Essa mudança de escala monetária, que se baseia no aprofundamento e desenvolvimento da economia digital, é um fato histórico, pois o país inicia uma recuperação econômica após uma crise provocada pelo brutal ataque à nossa economia, à nossa moeda e o bloqueio econômico financeiro e criminoso”, continua o comunicado do BCV.

Sanções

O país invoca regularmente as sanções internacionais impostas desde 2019, em particular pelos Estados Unidos, para tentar destituir o presidente Maduro do poder, ainda que a crise já dure mais de oito anos.

A Venezuela, que já figurou como um grande ator do mercado mundial de petróleo, produzindo até 3,3 milhões de barris por dia, se contenta agora com uma produção de pouco mais de 500 mil barris.

(Com informações da AFP)

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