Biden aprova leilão de petróleo e gás, retrocesso no combate às mudanças climáticas

O presidente americano Joe Biden que prometeu um plano para o clima e moratória da exploração de petróleo, acaba de aprovar leilão do material.
O presidente americano Joe Biden que prometeu um plano para o clima e moratória da exploração de petróleo, acaba de aprovar leilão do material. ANDREW CABALLERO-REYNOLDS AFP

O governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou na terça-feira (31) que planeja abrir mais de 320.000 km2 no Golfo do México para a exploração de petróleo e gás, depois que um tribunal decidiu contra a moratória imposta pelo governo na região. Esta decisão representa um grande retrocesso para o ambicioso programa climático da Casa Branca e foi rapidamente criticada por uma coalizão de defensores do meio ambiente.

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O Escritório de Administração de Energia Oceânica (BOEM em inglês) do Departamento do Interior planeja publicar um aviso de licitação em setembro "com uma adjudicação a ser realizada no outono" (no hemisfério norte), segundo declarou a agência em um comunicado.

Em janeiro, quando o presidente democrata anunciava colocar a mudança climática como peça central de seu mandato, Biden declarou uma moratória de novas perfurações de petróleo e gás em terras federais enquanto não houvesse decisão da Justiçaà espera de uma revisão.

No entanto, em junho, um juiz federal de Luisiana nomeado pelo ex-presidente republicano Donald Trump emitiu uma decisão que obrigou o governo a obter a aprovação do Congresso para a suspensão da moratória.

Segundo um relatório oficial publicado online, o governo prevê leiloar a exploração de até 1,1 bilhão de barris de petróleo e 125 trilhões de m3 de gás.

O documento menciona um novo relatório de um painel intergovernamental de especialistas sobre a evolução do clima, "que detalha a observação de uma mudança climática rápida em todas as regiões do mundo", mas destaca que não é um motivo suficiente para modificar a declaração de impacto ambiental.

Decepção

Após sua publicação, grupos de defesa do meio ambiente liderados pela Earthjustice denunciaram o BOEM e a secretária do Interior, Deb Haaland.

"Esta venda é profundamente decepcionante. O governo se curvou para a indústria do petróleo ao confiar em sua campanha de desinformação e pressão política, ignorando a crescente urgência climática com a qual somos confrontados", declarou Brettny Hardy, advogada da Earthjustice.

(Com informações da AFP)

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