Tribunal considera cantor R. Kelly culpado de abuso e tráfico sexual

O cantor R. Kelly, em foto de 2015
O cantor R. Kelly, em foto de 2015 Michael loccisano GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Archivos

A estrela norte-americana do R&B Robert Kelly foi considerado culpado de todas as acusações que enfrentava diante da Justiça. O tribunal de Nova York reconheceu a responsabilidade do cantor em uma série de crimes, inclusive de dirigir um “sistema” de exploração sexual que envolvia menores.  

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O cantor de 54 anos, famoso por seu sucesso mundial "I Believe I Can Fly", estava sendo julgado há mais de um mês. Ele respondia pelos crimes de extorsão, exploração sexual de menores, rapto e corrupção, em um período que ia de 1994 a 2018.  

Depois de depoimentos assustadores durante o processo, o júri, que deliberou durante nove horas, considerou o cantor culpado de todos os crimes. A sentença será proferida em maio de 2022 e ele pode pegar prisão perpétua. 

A Justiça tinha a tarefa de demonstrar que o cantor, cujo nome de registro é Robert Sylvester Kelly, é culpado de crime organizado, uma acusação grave comumente associada à máfia, que apresenta Kelly como o chefe de um grupo que facilitava seus abusos. Ele também é alvo de oito acusações em virtude da Lei Mann, que proíbe o transporte de pessoas através das fronteiras estaduais por motivos sexuais.

As histórias dos acusadores mantêm um padrão: muitas das vítimas contaram ter conhecido o cantor em shows ou apresentações em centros comerciais, e que sua equipe lhes entregou bilhetes com o contato de Kelly. Várias receberam a promessa de que podiam impulsionar suas aspirações na indústria musical.

Mas segundo os promotores, ao contrário, todos foram "doutrinados" no mundo de Kelly, preparados para atender a seus caprichos sexuais. Controlados, eles eram submetidos a regimes de isolamento e medidas disciplinares cruéis.  

Seis de suas vítimas eram menores quando Kelly manteve relações sexuais com elas. Várias também disseram que o cantor frequentemente filmava seus encontros, o que em muitos casos constitui pornografia infantil. 

"Ele não é um gênio. É um criminoso. É um predador", disse Nadia Shihata, assistente do promotor federal aos jurados. "Compor canções de sucesso e se apresentar para o público no palco não te dá permissão para cometer crimes", disse ainda. 

"Playboy"

A defesa de Kelly fez um retrato drasticamente diferente do astro, argumentando que era um "símbolo sexual" e um "playboy", que estava sendo atacado por suas ex-namoradas e fãs famintas por dinheiro.

Shihata afirmou ao júri que as testemunhas (nove mulheres e dois homens, que detalharam abusos devastadores no tribunal) "reviveram alguns dos piores períodos da sua vida".

O cantor se manteve mudo durante boa parte do processo, embora durante a maratona de alegações finais da promotoria parecesse agitado, sacudindo a cabeça. 

As acusações de abuso acompanham o artista há muito tempo, mas ele conseguiu se livrar delas durante décadas. Ele enfrenta julgamentos em três outras jurisdições, inclusive numa corte federal do Illinois.

O caso julgado em Nova York, atrasado por mais de um ano por causa da pandemia, é considerado um marco para o movimento #MeToo

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