Biden sofre derrota com eleição de milionário republicano no governo da Virgínia

O republicano Glenn Youngkin foi eleito governador da Virgínia, estado da costa leste dos Estados Unidos.
O republicano Glenn Youngkin foi eleito governador da Virgínia, estado da costa leste dos Estados Unidos. AP - Cliff Owen

O milionário republicano Glenn Youngkin foi eleito governador da Virgínia nesta quarta-feira (3), de acordo com projeções dos canais de TV norte-americanos NBC e ABC. O candidato democrata, Terry McAuliffe, que dirigiu o estado até janeiro de 2018, começou a disputa como o favorito, mas nos últimos dias de campanha as pesquisas apontaram um empate. A eleição era considerada um embate entre Biden e o ex-presidente Donald Trump, que apoiou Youngkin desde o início.

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Com pouco mais de 95% dos votos apurados, Glenn Youngkin, de 54 anos, sem experiência na política, estava 2,1 pontos à frente de seu adversário democrata, segundo o jornal The New York Times. Ele se referiu à vitória como um "momento decisivo" que "mudaria o curso" da Virgínia, após oito anos de controle democrata. Apesar de novato, o republicano conquistou o voto rural, tradicionalmente conservador, e teve boa votação em redutos democratas do norte do estado.

A vitória de Youngkin, se confirmada, representará um revés para o presidente Joe Biden, que se envolveu pessoalmente na campanha de Terry McAuliffe. O fato de um milionário que disputou eleições pela primeira vez derrotar um ex-governador popular é uma derrota de peso para Biden. Em 2022, haverá eleições de meio de mandato no Congresso e a atual composição, de maioria democrata, estará em jogo.

Youngkin enriqueceu durante os cinco anos em que codirigiu o grupo de investimentos The Carlyle Group. Ele investiu pelo menos US$ 20 milhões de sua fortuna durante a campanha, que provavelmente será um modelo para os republicanos de todo o país. O partido conservador tentará aproveitar a base de apoiadores de Trump nas eleições de meio de mandato, sem desgastar sua imagem entre os moderados.

Biden sai ainda mais enfraquecido

Os democratas queriam transformar a eleição na Virgínia em um referendo sobre Trump. No início da campanha, Youngkin aceitou o apoio de Trump e evitou críticas ao ex-presidente. Ao mesmo tempo, o bilionário se esquivou de aparecer ao lado do líder republicano, para não afastar eleitores moderados e independentes de sua candidatura. 

A derrota de McAuliffe terá consequências no Congresso. Deputados democratas moderados do Capitólio, que já não viam com bons olhos o pacote de Biden de US$ 3 trilhões para estimular a economia, poderão temer um revés futuro nas urnas. O plano, centrado no bem-estar social e nas infraestruturas, é fundamental na agenda política do presidente, mas está sofrendo importantes contratempos para ser aprovado em Washington.

Na terça-feira (2) também aconteceram eleições em outros estados. Na cidade de Nova York, o democrata Eric Adams venceu a prefeitura e no estado de Nova Jersey, a vitória foi de seu companheiro de partido Phil Murphy.

"Guerra cultural"

Na Virgínia, o democrata McAuliffe enfrentou adversidades na tentativa de obter um cargo que já havia ocupado. O partido majoritário em Washington costuma sofrer um desgaste político durante o primeiro mandato de um presidente. No caso de Biden, a popularidade de sua administração recuou com a mal planejada retirada das tropas americanas no Afeganistão, que abriu caminho ao retorno dos talibãs ao poder.

Para conquistar o cargo de governador, Youngkik se viu obrigado a fazer malabarismo eleitoral, pois a grande maioria dos republicanos ainda acredita na falsa alegação de Trump de que a eleição presidencial que perdeu para Biden foi fraudulenta. Admitir a verdade, neste cenário particular, tem riscos políticos.

O governador eleito optou por concentrar a campanha em temas locais da "guerra cultural", como o aborto, a obrigatoriedade do uso de máscaras e o ensino da "teoria crítica da raça", corrente de pensamento que analisa o racismo como um sistema que permeia todas as camadas da sociedade para além dos preconceitos individuais.

McAuliffe, de 64 anos, se apresentou como alguém que recuperou empregos após a crise financeira mundial de 2008 e prometeu repetir a gestão após a pandemia. Porém, meses depois da vitória dos democratas na presidência e Congresso, os eleitores da Virgínia escolheram um caminho diferente. O Partido Republicano retorna ao governo do estado após mais de uma década.

Com informações da AFP

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