Câmara dos Deputados do Chile aprova destituição do presidente Sebastián Piñera

Deputados chilenos participam da sessão plenária que votou a favor da destituição do presidente Sebastian Piñera.
Deputados chilenos participam da sessão plenária que votou a favor da destituição do presidente Sebastian Piñera. Johanna Zárate Cámara de Diputados Chilena/AFP

 A Câmara dos Deputados do Chile encerrou nesta terça-feira (9), após um debate de várias horas, o julgamento político contra o presidente Sebastián Piñera por seu vínculo com a polêmica venda da mineradora Dominga nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal, revelada no escândalo "Pandora Papers".

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Os parlamentares conseguiram reunir os 78 votos necessários para que a acusação, que busca o impeachment do presidente chileno, avance para o Senado. A aprovação requeria apenas maioria simples na Câmara, que é controlada pela oposição (83 das 155 cadeiras).

Agora, caberá aos senadores decidir o futuro do presidente conservador, um dos homens mais ricos do Chile, por dois terços dos votos, um resultado muito difícil de obter. A decisão deve ser votada antes das eleições gerais de 21 de novembro, que renovarão o Congresso e designarão um novo presidente para o Chile. 

Ao concluir a defesa no plenário, o advogado de Piñera, Jorge Gálvez, afirmou: "Eu peço, ilustres deputados e deputadas, que rejeitem esta injusta e improcedente acusação constitucional".

A acusação constitucional, como é conhecido no Chile este recurso que busca a destituição do presidente Piñera, foi apresentada na primeira semana de outubro pela oposição socialista e de esquerda ao governo. Piñera está na reta final de seu segundo mandato, iniciado em março de 2018.

Fim da impunidade

O debate começou às 10h25 da manhã de segunda-feira (8) com o deputado socialista Jaime Naranjo, que leu durante 15 horas as 1.300 páginas da acusação para argumentar a ação legislativa contra o presidente e, em suas palavras, para que no Chile "termine a impunidade" dos que têm o poder. Esta foi uma das frases mais ouvidas e tem importante significado no país desde a crise social de 2019.

Ao destacar que no caso Dominga aconteceu uma suposta negociação incompatível com o cargo, Naranjo declarou: "Atuando como presidente, beneficiou (a ele) e sua família de forma direta, com as informações que detinha no exercício de seu cargo. E continuou negociando e fez subir o preço da Dominga". A operação aconteceu em 2010, quando Piñera estava em seu primeiro mandato como presidente. 

Com informações da AFP

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