Venezuela: oposição volta à cena eleitoral, mas é arrasada por vitória massiva do chavismo

A participação nas eleições regionais e municipais de domingo na Venezuela (21) foi de apenas 41,8% do eleitorado.
A participação nas eleições regionais e municipais de domingo na Venezuela (21) foi de apenas 41,8% do eleitorado. AP - Ariana Cubillos

O chavismo conquistou no domingo (21) a prefeitura de Caracas e 20 dos 23 governos nas eleições regionais e municipais da Venezuela. Pela primeira vez em quatro anos, o processo eleitoral contou com a participação da oposição após o boicote das últimas votações. No entanto, o retorno à cena política dos rivais de Nicolás Maduro foi decepcionante.

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Com informações da correspondente da RFI em Caracas, Alice Campaignolle, e agências

A oposição venezuelana sofreu um duro golpe na noite deste domingo, vencendo as eleições em apenas três dos 23 estados, incluindo Zulia, o mais populoso do país. Além disso, sofreu uma dura derrota em uma região crucial que governava: Táchira, na fronteira com a Colômbia. 

Os resultados, no entanto, não são surpreendentes. Com um eleitorado cansado e cético em relação aos políticos e ao processo eleitoral, os rivais de Maduro não conseguiram mobilizar seus partidários. 

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a participação foi de 41,8%, um índice extremamente baixo, mesmo para eleições regionais e municipais. Apenas 8,1 milhões dos 21 milhões de eleitores aptos a votar compareceram às urnas. Ausente dos boletins de voto há quatro anos, a oposição voltou à cena política dividida e enfraquecida diante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Chavistas comemoram vitória

Na praça Bolívar, centro histórico de Caracas, centenas de simpatizantes do PSUV esperaram até a meia-noite desta segunda-feira (22) para comemorar o anúncio dos resultados. Para muitos deles, a volta da oposição torna a vitória ainda mais importante. 

"A existência da democracia foi confirmada na Venezuela. Nós ganhamos as eleições de forma gloriosa!", afirmou um militante à RFI

No entanto, como toda a população venezuelana, os eleitores chavistas enfrentam um cotidiano cada vez mais precário. Por isso, não hesitam em pedir mudanças ao governo. 

"Espero que eles prestem mais atenção no povo. Bom, é isso o que eles sempre fizeram, mas espero que eles farão mais ainda por nós. As pessoas mais pobres são duramente castigadas pelas sanções econômicas que os Estados Unidos nos impõem", afirma a eleitora Souleya. 

"Todos sabemos que as sanções americanas existem. Mas isso não deve servir de desculpa para todos os problemas que temos aqui. Com ou sem sanções, os candidatos que foram eleitos neste domingo devem ajudar a população venezuelana", reitera o eleitor Hugo, apoiador do partido no poder. 

Nova fase para governo e oposição

As eleições regionais eram consideradas um novo ponto de partida tanto para Maduro, que busca o fim das sanções internacionais, como para a oposição, que retornou ao processo eleitoral com o olhar voltado para uma eleição presidencial "transparente" em 2024.

"Os resultados do CNE mostram poucas surpresas. O mapa fica fundamentalmente vermelho [cor do PSUV], como se esperava", afirmou o analista Luis Vicente León, diretor do instituto de pesquisas Datanálisis. "Este resultado é lamentável para a oposição, pois foi definido fundamentalmente devido à abstenção e à divisão", completou León. 

O processo eleitoral também contou com o retorno de observadores internacionais: a União Europeia, que não trabalhava em uma votação na Venezuela há 15 anos, integrou uma missão de 130 delegados, que também teve representantes da ONU e do Centro Carter, fundado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter. Em eleições anteriores, as autoridades venezuelanas optaram por "missões de acompanhamento" de países e organizações próximas ao chavismo.

O retorno de observadores da UE é, segundo analistas, uma das concessões do presidente Maduro para tentar obter o fim das sanções, que incluem um embargo petroleiro do governo dos Estados Unidos.

O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por dezenas de países, não votou e permaneceu em silêncio. Durante a semana, ele defendeu a "união da luta" contra Maduro depois das eleições.

Guaidó também insistiu em buscar um acordo nas negociações empreendidas pelo governo e a oposição no México, paralisadas desde a extradição aos Estados Unidos do empresário colombiano Alex Saab, ligado ao governante chavista. No entanto, o presidente Nicolás Maduro afirmou no domingo que "não há condições" para a retomada dos diálogos. 

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