Operação policial desmonta organização criminosa franco-brasileira na Guiana Francesa
A operação na sexta-feira (3) contou com 200 policiais e percorreu oito locais em Caiena, a capital da Guiana Francesa, na costa nordeste da América do Sul. O resultado foi comemorado pelo ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, num tuíte publicado neste sábado (4). Onze pessoas foram presas, incluindo o líder da quadrilha, anunciou o promotor público Yves Le Clair, durante uma entrevista coletiva.
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Dez suspeitos foram presos na sexta-feira e colocados sob custódia. Neste sábado, houve mais uma prisão, informou o comandante da polícia da Guiana, general Jean-Christophe Sintive. De acordo com ele, a operação realizada na sexta-feira foi “fora do normal”, com a mobilização de “200 homens e esquadrões móveis”, que atuaram de forma simultânea para conseguir estas detenções.
O ministro do Interior francês esclareceu que o grupo era "suspeito de ter preparado assaltos à mão armada".
Durante a coletiva de imprensa, o procurador da República, que raramente fala, disse que "o principal alvo havia sido alcançado". Ele se referiu a uma "organização criminosa de inspiração sul-americana".
Entre os detidos, estão homens com idades entre 20 e 30 anos. O grupo inclui alguns franceses, mas a maioria é de brasileiros, conforme apurou uma fonte familiarizada com o assunto.
Uma investigação foi aberta por associação criminosa, acrescentou o procurador. Os suspeitos foram flagrados em operações de vigilância portando armas, coletes à prova de balas e "outros elementos preparatórios de infrações", permitindo caracterizar a associação de criminosos, acrescentou.
Coup de filet en Guyane !
— Gérald DARMANIN (@GDarmanin) February 4, 2023
Bravo aux 200 gendarmes qui ont interpellé 10 individus, sur plusieurs sites de l'Île de Cayenne, dans le cadre d’une grande opération contre une organisation criminelle notamment suspectée d'avoir préparé des vols à main armée.https://t.co/sJaGVkPqXy
Custódia pode durar até 96 horas
Os investigadores seguiam pistas do grupo há um ano e meio. Porém, os reforços que chegaram do continente francês, há três meses, especialmente da polícia judiciária, permitiram dar um impulso à investigação. “Dez investigadores dedicaram-se exclusivamente a este caso”, disse o general responsável pela operação.
O grupo é considerado pelas autoridades como "policriminoso", ou seja, estava fazendo "tudo o que podia para obter dinheiro: roubo, extorsão, contratos fraudulentos etc.", explicaram os investigadores. O Ministério Público vai pedir a prisão dos réus, ao final da custódia policial, o que pode acontecer em até 96 horas.
Atraídos pela atividade garimpeira, há alguns anos grupos criminosos do Brasil foram se estabelecendo na Guiana Francesa, como por exemplo o Comando Vermelho ou a facção Família Terror do Amapá (FTA).
(Com informações da AFP)
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