Estados Unidos/Economia

Obama lança novo pacote econômico de olho nas eleições legislativas

O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira em discurso na cidade de Cleveland, Ohio, um novo pacote de incentivos fiscais para reaquecer a economia do país. Obama falou novamente em " virada econômica" e que o crescimento lento está acontecendo, em meio a um cenário difícil de taxa de desemprego que oscila entre 9 e 10%.

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Barack Obama defendeu um plano de 350 bilhões de dólares para estimular a retomada da economia. Cerca de 200 bilhões de dólares seriam de incentivos tributários para que as empresas realizem novos investimentos em fábricas e equipamentos, com isenção de impostos até o fim de 2011 e 100 bilhões dólares de crédito tributário para pesquisa e desenvolvimento empresarial, nos próximos 10 anos.

O presidente reafirmou que junto com essas propostas ele defende um plano de 50 bilhões de dólares em investimentos públicos em infraestrutura – estradas, aeroportos e transporte – anunciado na última segunda-feira.

Obama criticou os isentos da Era Bush, que reúnem milionários e bilionários e disse que não é a favor de renovar os benefícios para os mais ricos– que terminam em dezembro e defendeu o corte de impostos para a classe média, que compõem 98% da população.

Todas as propostas ainda precisam passar pelo Congresso – que está em recesso e terá um curto período para aprová-las. Os pacotes têm despertado críticas por parte dos republicanos – que dizem se tratar de "um projeto de estímulo montado no último minuto" e de ocultar interesses políticos.

O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, afirmou que há pouca disposição em aprovar as novas medidas, argumentando que o pacote de 2009 que era de 787 bilhões de dólares, pouco mais do que o dobro do novo plano, não teve o efeito desejado. No discurso, Obama aproveitou para criticar os republicanos e disse que não está jogando, apenas construindo um futuro melhor.

Mais um discurso sobre economia está previsto para a próxima sexta-feira, lembrando que todos esses planos vêm uma semana antes do aniversário de 2 anos da quebra do Lehman Brothers, que marcou oficialmente o início da crise da economia americana.

Eleições

Cleide Klock, correspondente da RFI em Nova York

O presidente Obama considera que seu Partido Democrata corre o risco de ser sancionado nas eleições legislativas de 2 de novembro devido às performances da atual economia americana. "Se esta votação fosse um referendo sobre o grau de satisfação do eleitorado sobre a situação econômica, não nos daremos bem, pois existe o sentimento que nossa economia deve ser melhor do que está", disse o presidente.

As eleições durante a metade do mandato devem renovar integralmente a Câmara dos Representantes e 37 das 100 cadeiras do Senado.
O Partido Democrata controla atualmente as duas câmaras do Congresso, mas com o desemprego que atinge 9,6% da população ativa, os democratas podem ter sua maioria ameaçada.

Para Obama, assim como para os articuladores do seu partido, o desafio desses dois meses de campanha é convencer os eleitores de que a votação será baseada nas diferenças dos programas políticos entre democratas e republicanos e não sobre os resultados da economia americana.

Em outras palavras, mesmo reconhecendo que sua política econômica não está dando os frutos esperados com a rapidez desejada, Obama considera que as propostas democratas são as melhores para relançar o crescimento.

 

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