Colômbia

Ingrid Betancourt, ex-refém das FARC, lança livro sobre cativeiro

Ingrid Betancourt
Ingrid Betancourt AFP PHOTO/Luis Acosta

Foi lançado mundialmente, nesta terça-feira, o livro Não há silêncio que não termine da franco-colombiana Ingrid Betancourt, ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. Escrito originalmente em francês e publicado no Brasil pela Companhia das Letras, o livro conta, pela primeira vez, os mais de 6 anos de cativeiro de Ingrid na selva colombiana.

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Ela revela detalhes de suas tentativas de fuga, do inferno no cativeiro, das humilhações e das autodefesas que teve de construir para sobreviver às agressões de seus carrascos. Para a imprensa francesa, Ingrid Betancourt conta com o lançamento de seu livro para reconquistar a opinião pública, principalmente na França e na Colômbia - um desafio arriscado - e também para pagar suas dívidas.

Desde sua libertação, há pouco mais de dois anos, a imagem de Ingrid Betancourt só acumulou desgastes. Criticada por ex-colegas de cativeiro, pelo marido abandonado, Juan-Carlos Lecompte, e até por negociadores internacionais que trabalharam por seu resgate, a ex-refém é descrita como uma mulher narcisista e manipuladora.

O pedido de indenização feito por ela ao governo colombiano de 6,5 milhões de dólares (11,3 milhões de reais), como compensação por perdas financeiras e estresse emocional decorrentes do período em cativeiro, arranharam ainda mais sua imagem. Ingrid Betancourt ganhou a imagem de « ingrata » e hoje é uma das personalidades mais detestadas da Colômbia, com 80% de opiniões negativas.

Um amigo parisiense da ex-refém, que preferiu não se identificar, disse à imprensa francesa que essas críticas são injustas. Ao jornal Le Parisien, ele descreve a ex-candidata à presidência da Colômbia como uma mulher que ficou desconectada do mundo por mais de seis anos e hoje vive contando os centavos de suas ligações telefônicas.

Ela também teria feito pequenos empréstimos para se sustentar. Sua editora na França, a Gallimard, afirma que Ingrid Betancourt negou qualquer adiantamento de direitos autorais, preferindo esperar a reação do público. No meio editorial parisiense, os comentários sobre o livro Não há silêncio que não termine, de mais de 500 páginas, são de que o texto é muito bem escrito e poderia até concorrer a um prêmio literário.
 

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