Estados Unidos/Irã

EUA sancionam iranianos por violação dos direitos humanos

O secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.
O secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Reuters

Pela primeira vez, os Estados Unidos decidiram aplicar sanções contra autoridades iranianas acusadas de violações aos direitos humanos ligadas à reeleição suspeita de Mahmoud Ahmadinejad, em junho de 2009. Acusada de fraudulenta, a votação desencadeou uma onda de protestos reprimidos com violência no Irã.

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As sanções americanas tornam indisponíveis os bens de oito personalidades do regime iraniano, entre elas três ministros em exercício, que podem ter imóveis e depósitos bancários nos Estados Unidos. O presidente americano Barack Obama assinou pessoalmente o decreto. A Casa Branca acusa as autoridades visadas de graves violações aos direitos humanos durante a repressão aos protestos ocorridos logo após a reeleição de Ahmadinejad, em junho de 2009, que causaram a morte de dezenas de pessoas.

Ao anunciar as sanções em Washington, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, destacou que naquele período e nos meses seguintes "cidadãos iranianos foram detidos arbitrariamente, torturados, violentados, submetidos à chantagem e assassinados". Hillary declarou que o governo dos Estados Unidos não tem interesse apenas no programa nuclear iraniano e também acompanha, com interesse, a situação dos direitos humanos no Irã.

Punidos

Entre as personalidades visadas pelas sanções estão Mohammad Ali Jafari, chefe dos Guardiães da Revolução, a polícia ideológica do regime iraniano, e Saïd Mortazevi, ex-procurador-geral de Teerã, afastado do cargo desde agosto acusado pela morte de três opositores na prisão, em julho de 2009.

São igualmente alvos das sanções Mostafa Mohammad Najjar, ex-ministro da Defesa, Heydar Moshlehi, ministro da Informação, e Hossein Taeb, ex-comandante da milícia islâmica que perseguiu nas ruas os manifestantes insatisfeiros com a reeleição de Ahmadinejad. Sadiq Mahsuli, ministro da Previdência Social e ex-ministro do Interior, também está na lista negra.

Esta é a primeira vez que os Estados Unidos aplicam sanções ao Irã relacionadas aos direitos humanos. Do lado iraniano, o presidente Ahmadinejad já ironizou muitas vezes essa atitude dos Estados Unidos tanto pelo tratamento dado aos prisioneiros do campo de Guantánamo quanto pela aplicação da pena de morte em vários estados americanos, assim como faz o Irã.
 

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