Chile

Mineiros resgatados podem ter alta nesta quinta-feira

Alguns dos mineiros que passaram 69 dias presos numa mina no deserto do Atacama podemter alta nesta quinta-feira.
Alguns dos mineiros que passaram 69 dias presos numa mina no deserto do Atacama podemter alta nesta quinta-feira. Reuters

Terminou nesta quarta-feira o calvário vivido pelos 33 mineiros que ficaram soterrados durante 69 dias na mina de San José, no norte do Chile. A operação de resgate, que durou 22 horas, foi concluída com sucesso após a retirada do último homem. Luiz Urzua, líder do grupo, de 54 anos, chegou à superfície nesta quarta-feira, às 21h55, horário local, mesmo horário de Brasília.

Publicidade

"Obrigado ao Chile e a todas as pessoas que nos ajudaram. Estou orgulhoso de viver aqui”, afirmou Urzua. Assim que saiu da cápsula de resgate, o líder do grupo abraçou os familiares e o presidente do Chile, Sebastián Piñera, que seguiu toda a operação de salvamento do lado de fora da mina.

Segundo informou o ministério chileno da Saúde, todos os mineiros resgatados estavam em bom estado de saúde, com exceção de um homem que contraiu pneumonia e dois outros mineiros que tiveram que se submeter a uma cirurgia dentária de urgência, com anestesia geral. Os mineiros com melhores condições físicas devem deixar o hospital e voltar a suas casas ainda nesta quinta-feira.

A operação de resgate, batizada San Lorenzo, em homenagem ao padroeiro dos mineiros, custou entre 10 e 20 milhões de dólares, segundo informou o presidente Piñera. Mais de 2 mil jornalistas de todo o mundo acompanharam a operação. Em dois meses, os 33 homens, que ficaram soterrados após um deslizamento no dia 5 de agosto, se tornaram conhecidos em todo o mundo.

Futuro incerto

Nunca na história, mineiros haviam sobrevivido tanto tempo soterrados em uma mina. Os 33 homens que foram resgatados ontem no Chile terão, agora, que lidar com a notoriedade, ainda que efêmera, e retomar o trabalho e a vida de família. Para muitos, o futuro ainda é incerto.

Dos 33 homens, 8 já têm mais de 50 anos e o grupo San Estéban, que explorava a mina de San José, está a beira da falência. A única proposta concreta feita aos homens foi um trabalho na mina de Farkas, também na região de Copiapó, norte do Chile. Mas alguns mineiros já afirmaram que não pretendem mais voltar a fazer o mesmo trabalho.

Além do salário de setembro e de um adicional pelo fim do contrato, os mineiros devem receber 2 mil dólares cada um, doados por um empresário anônimo, e mais 10 mil dólares, oferecidos pelo empresário Leonardo Farkas, um milionário excêntrico que também explora minas no Chile. As famílias dos mineiros também pedem, na Justiça, indenizações da ordem de 12 milhões de euros.

Patrícia Campos Mello, colaboração para RFI

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.