EUA/Brasil

Resultado de legislativas nos EUA não deve mudar relações com Brasil

Barack Obama deve perder maioria democrata na Câmara dos Representantes e várias cadeiras no Senado.
Barack Obama deve perder maioria democrata na Câmara dos Representantes e várias cadeiras no Senado. REUTERS/Larry Downing

Nessa terça-feira, os americanos vão às urnas para renovar a Câmara dos Representantes e o Senado. Analistas consideram que a perda da maioria dos democratas para os republicanos, considerada como quase certa, terá pouco impacto nas relações bilaterais.  

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Por Raquel Krahenbuhl, correspondente da RFI em Washington

 

As eleições legislativas deste 2 de novembro serão uma uma prova de fogo para o presidente Barack Obama. Por conta da economia ainda enfraquecida, com cerca de dez desempregados em cada cem americanos, o partido do presidente deve sofrer muitas perdas no Congresso. Pesquisas mostram que o democratas devem perder a maioria na Câmara dos Representantes e reduzir a vantagem no Senado para os republicanos.

Se as projeções se confirmarem nesta terça-feira, Obama, que tem uma agenda extensa de propostas tramitando no Congresso, vai enfrentar ainda mais dificuldades para governar nos próximos dois anos de mandato, o que pode prejudicar sua reeleição em 2012.

Eleições americanas e Brasil

Para o Brasil, uma mudança interna nos Estados Unidos deve ter menos impacto. Analistas acreditam que pouco deve mudar nas relações bilaterais. Mesmo assim, o brasilianista e presidente honorário do centro de pesquisas Inter-American Dialogue, Peter Hakim, lembra que os republicanos são mais abertos a algumas questões de grande interesse dos brasileiros no Congresso Americano. "Os interesse agrícolas nos Estados Unidos são muito poderosos. Quase não importa se os interesses estão definidos por republicanos e democratas, eu não vejo uma grande diferença. Talvez os republicanos sejam um pouco mais abertos para utilizarem o mercado nas relações comerciais internacionais", analisa Peter Hakim.

Relações bilaterais

O embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, não acredita em uma grande mudança nas relações bilaterais, independentemente do que aconteça no cenário interno. Ele insiste que os dois países têm relações muito maduras, apesar de cada Congresso defender seus interesses. "Eu acho que as duas Câmaras, tanto a brasileira quanto a americana, defendem os interesses dos seus países. Acho que os dois países têm relações adultas, maduras, já muito profundas e muito importantes. E há um grande interesse do Brasil em relações cada vez mais profundas e mais próximas com os Estados Unidos como, da mesma forma, esperamos que os Estados Unidos tenham interesse em relações com o Brasil intensas e profundas. Há muita coisa que os dois países podem fazer juntos, muitos investimentos, muito comércio, ações conjuntas em outros países, como é o caso do Haiti, por exemplo, onde o Brasil e os Estados Unidos cooperam intensamente. Existem também projetos de cooperação em outras regiões,  como África, Caribe e  América Central", comenta Mauro Vieira.

Para o brasilianista Peter Hakim, ainda há muito o que ser feito em termos de relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. "O Brasil tem que abrir uma linha de negociação com muita ação sobre todos os temas de comércio mundial, com todos os temas econômicos globais e muitos outros temas. Acho que o país necessita de comunicação e diplomacia mais intensas sobre mais temas. O Brasil não tem, em Washington, a presença que deveria ter. Não falo sobre o número de diplomatas brasileiros, mas da presença brasileira como um fator crucial na relação global e regional dos Estados Unidos", diz Hakim.
 

Relações bilaterais EUA x Brasil

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