Cúpula APEC

Tensão entre Estados Unidos e China domina cúpula de líderes da região Ásia-Pacífico

O presidente americano, Barack Obama, discursa na cúpula da Apec, em Yokohama, no Japão.
O presidente americano, Barack Obama, discursa na cúpula da Apec, em Yokohama, no Japão. Reuters/Jim Jeune

Líderes de 21 países da região Ásia-Pacífico, que formam o grupo chamado Apec, iniciaram um encontro de dois dias neste sábado, na cidade portuária de Yokohama, no Japão. Na mesa de negociações, a liberalização das trocas comerciais nessa região que representa a metade do Produto Interno Bruto mundial.

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A tensão provocada pela concorrência comercial entre Estados Unidos e China, vista durante a cúpula do G20 na Coreia do Sul, volta a dominar o encontro de líderes da Apec iniciado neste sábado no Japão. O presidente americano, Barack Obama, disse logo na chegada a Yokohama que pretende sedimentar a presença dos Estados Unidos na Ásia e defendeu a conclusão do Pacto de Livre Comércio Transpacífico (TPP). Segundo Obama, a segurança e a prosperidade dos americanos estão estreitamente ligadas à estabilidade e ao crescimento dos países asiáticos.

Muito criticado no G20 pela recente decisão do banco central americano (FED) de injetar US$ 600 bilhões na economia local, o que vai acentuar ainda mais a guerra cambial, Obama voltou a defender a política econômica dos Estados Unidos. Washington acusa a China de ser a raiz do problema, ao manter o yuan desvalorizado para criar um enorme excedente na balança comercial chinesa.

Impermeável à crítica americana, o presidente chinês, Hu Jintao, disse em seu discurso que não é o caso de exigir mais dos países emergentes, sob o risco de bloquear o crescimento dessas nações. "Pedir aos emergentes que assumam obrigações e responsabilidades além da capacidade e do nível de desenvolvimento desse países não contribui para a cooperação internacional nem ao desenvolvimento mundial", afirmou o líder chinês. 

O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss Kahn, disse que está na hora de os Estados Unidos e a China acabarem com a troca de acusações, jogando a responsabilidade um nas costas do outro. Strauss Khan ponderou que a China poderia ir um pouco mais rápido nos esforços para tornar sua economia menos dependente das exportações, centrando o crescimento no aumento do consumo interno. 

Em paralelo à rivalidade do G2, o encontro da Apec está servindo para Japão, Rússia e China trocarem farpas em torno de disputas territoriais. Em seus respectivos discursos, tanto o presidente chinês como o premiê japonês reafirmaram a soberania de seus respectivos países sobre um grupo de ilhas no Mar da China administradas por Tóquio mas reivindicadas por Pequim. O premiê japonês, Naoto Kan, criticou o presidente russo, Dmitri Medvedev, pela recente visita que o chefe do Kremlim fez a uma ilha japonesa ocupada pelos russos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

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