EUA/Política

Republicanos assumem maioria na Câmara dos EUA

Membros do Congresso dos Estados Unidos reunidos em Washington.
Membros do Congresso dos Estados Unidos reunidos em Washington. Susan Sterner

Nesta quarta-feira, em Washington, toma posse o novo Congresso norte-americano. A nova composição complica a vida de Barack Obama, que perdeu sua maioria na Câmara dos Representantes e pode, inclusive, ver os deputados da oposição voltarem atrás em algumas de suas conquistas dos dois primeiros anos de governo.

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Cleide Klock, correspondente da RFI em Nova York

O presidente Barack Obama acompanha nesta quarta-feira a posse dos 435 parlamentares.

Os próximos dois anos prometem ser difíceis para Obama. Na Câmara, seu partido terá 193 deputados, contra 242 dos republicanos. E para a batalha ser ainda maior, o Senado ainda tem maioria democrata, o que deve ter o seguinte efeito: a Câmara aprova, o Senado revoga. A consequência pode ser um país parado, onde nada de concreto deve acontecer até as próximas eleições. Todos os atos do Congresso não serão para fazer novas leis, mas terão o objetivo de ganhar votos para as presidenciais de 2012.

O presidente pede ajuda à oposição para reanimar a economia e promete buscar o diálogo e um ponto comum com os republicanos. Uma tática usada no final de 2010 e que o permitiu levar adiante medidas como o novo tratado START de desarmamento nuclear com a Rússia, o fim do "Don't ask, Don't tell", que impedia os militares homossexuais de revelarem a sua orientação sexual sob pena de serem expulsos do Exército, e a aprovação de um novo pacote de medidas fiscais. Os republicanos que compõem agora a nova Câmara dos Representantes são ainda mais conservadores do que a bancada anterior, muitos deles eleitos graças ao ativismo do movimento Tea Party.

Eles tinham como lema na campanha fazer o possível para cancelar algumas das grandes conquistas do presidente, como a reforma do sistema de saúde, e prometem tocar os projetos adiante. O Partido Republicano planeja votar o projeto de lei que vai contra a reforma, já no dia 12 de janeiro, mas tudo leva a crer que a maioria democrata no Senado vá bloquear qualquer esforço republicano de repelir a lei de saúde de Obama. Outras batalhas duras devem acontecer para aprovar o orçamento do país e medidas contra o déficit fiscal.

A agenda legislativa do presidente deve ainda se chocar com a dos republicanos em áreas como a reforma imigratória, promessa de campanha de Obama. Ao contrário do presidente, os republicanos querem acentuar a política repressiva, nos moldes da lei aprovada no Arizona, que proclama a imigração ilegal como um crime de Estado e obriga os funcionários públicos a denunciar pessoas em situação ilegal.
 

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