China/Estados Unidos

Visita de Hu Jintao não permitiu avanços na questão cambial

O presidente Hu Jintao em visita ao Congresso norte-americano, nesta quinta-feira, 20 de janeiro de 2011.
O presidente Hu Jintao em visita ao Congresso norte-americano, nesta quinta-feira, 20 de janeiro de 2011.

O presidente chinês encerra, nesta sexta-feira, sua viagem aos Estados Unidos visitando Chicago, a cidade do presidente Barack Obama. A visita do chefe de estado chinês foi marcada pela assinatura de importantes contratos comerciais, mas não permitiu nenhum progresso no tema cambial, uma das prioridades do governo norte-americano.

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Apesar dos reiterados apelos de Washington para que a China aprecie sua moeda, o yuan, o presidente Hu Jintao não deu nenhum sinal, durante a visita de quatro dias aos Estados Unidos, de que pretende ceder à pressão dos norte-americanos.

Os Estados Unidos e os países europeus acusam a China de manter artificialmente desvalorizado o yuan, a moeda chinesa, para favorecer as exportações do país.

Pequim, por sua vez, se recusa a proceder a uma desvalorização brutal de sua moeda, temendo efeitos sobre a economia do país, como perdas de emprego e fechamento de usinas e fábricas.

Ontem, depois de uma reunião bilateral na Casa Branca, um comunicado divulgado à imprensa afirmava, de maneira sucinta e sem mais detalhes, que a China iria "continuar a promover a reforma do câmbio do yuan e a reforçar a flexibilidade da taxa de câmbio".

Mais tarde, o ministro-adjunto das Relações Exteriores da China, Ciu Tiankai, confirmou à imprensa que "as discussões entre Hu Jintao e Obama não modificaram a essência da política cambial de Pequim".

A frustação da administração norte-americana era palpável nesta quinta-feira. A tal ponto que o assistente do secretário do Tesouro, Charles Collyns, não esperou a partida de Hu Jintao para condenar, mais uma vez, a política cambial de Pequim.

Pressões

Nesta quinta-feira, depois de se reunir com Barack Obama, Hu Jintao foi recebido no Congresso norte-americano. Ele se reuniu a portas fechadas com líderes democratas e republicanos das duas casas do Congresso. No encontro, Hu Jintao voltou a tratar de questões delicadas que opõem os dois países, como o tema dos direitos humanos.

Na Câmara, foi questionado sobre a proteção da propriedade intelectual e sobre a segurança na península coreana. A líder da minoria, a democrata Nancy Pelosi, pressionou sobre a violação dos direitos humanos, citando a situação do Tibete e do dissidente chinês, Liu Xiaobo, ganhador do prêmio Nobel da paz no ano passado.

Em nota divulgada depois de encontro, o presidente da Câmara disse que eles enfatizaram também o problema da falta de liberdade religiosa e do uso do aborto para manter a política chinesa de filho único nas cidades.

Câmbio

Enquanto na Câmara a questão do câmbio foi omitida, no Senado o assunto veio à tona. O líder da maioria, senador Harry Reid, chegou a mencionar a preocupação com a desvalorização do yuan.

Dias antes da visita do presidente chinês aos Estados Unidos, muitos senadores reintroduziram legislações para seguir adiante com sanções internacionais contra a China, por suspeita de manipulação cambial. Muitos parlamentares fizeram declarações contra o chefe do estado chinês nos últimos dias. O senador Reid chegou a chamar Hu Jintao de ditador.

Depois do encontro no Congresso, Hu Jintao teve um almoço com empresários e representantes dos governos norte-americanos e chinês. Os Estados Unidos anunciaram a assinatura de contratos comerciais importantes com a China, de um montante de cerca de 45 bilhões de dólares.

Hu Jintao seguiu ontem à noite para Chicago, onde participou de um jantar de gala oferecido por empresários e representantes do governo.

Nesta sexta-feira, visita importante pólo econômico, dos Estados Unidos. Hu deve encerrar sua visita de estado de quatro dias aos Estados Unidos com paradas em uma escola local e uma exibição empresarial.

 

 

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