EUA/Obama

Em discurso, Obama anuncia corte de gastos e visita ao Brasil

Discurso do presidente norte-americano, Barack Obama no Congresso .
Discurso do presidente norte-americano, Barack Obama no Congresso . Reuters

O presidente americano Barack Obama fez um apelo nesta terça-feira para que os Estados Unidos invistam em inovação, pesquisa e educação. O objetivo é gerar empregos e enfrentar os desafios de uma nova ordem global. Obama também disse que pretende reforçar os laços com países do continente americano, inclusive o Brasil.  

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Raquel Krähenbühl, correspondente da RFI em Washington

Em seu discurso do Estado da União, que marca o início da segunda fase de seu mandato, Obama afirmou que a ascensão de potências emergentes mudaram as regras da economia mundial. Obama também anunciou o congelamento de gastos nos próximos cinco anos e disse que vai visitar, em março, o Brasil, o Chile e El Salvador, para reforçar os laços com região. Esse será a primeira viagem de Obama à América do Sul desde que assumiu o governo.

De acordo com o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Mike Hammer, serão discutidos assuntos nas áreas de energia limpa, crescimento global, reconstrução, assistência ao Haiti, entre outras. Para o professor Antony Pereira, do Royal College of London, o Brasil continua sendo um poder emergente, mais atuante internacionalmente nestas questões de segurança e do meio-ambiente, o que faz com que, estrategicamente, seja fundamental para os Estados Unidos terem uma aliança forte com o país. "Com o declínio do poder dos Estados Unidos, o governo  americano reconhece que é mais importante do que antes ter boas relações dentro da região, especialmente na área de comércio, e acha que o câmbio bilateral entre os Estados Unidos e Brasil ainda é muito importante", diz Anthony.

Durante seu discurso, o presidente lembrou "que o país tem a maior economia do mundo, que os trabalhadores americanos são os mais produtivos e as companhias americanas as mais bem sucedidas do planeta. " O chefe de Estado americano ainda ressaltou que o país  "está na direção do progresso" e que, dois anos depois da recessão, a economia está crescendo novamente.

Plano para ganhar o futuro

Obama voltou a afirmar que ainda há muito trabalho pela frente e delineou uma proposta para criar empregos e tornar o país mais competitivo no cenário global. O “plano para ganhar o futuro”, como foi chamado, foca em investimentos em cinco áreas: inovação científica e tecnologica, educação, infraestrutura, reforma do governo e redução do déficit público. A agenda inclui novos investimentos para estimular pesquisas, especialmente em tecnologia de energia limpa. O presidente destacou que este é o momento da geração Sputnik e que é preciso alcançar um nível de desenvolvimento semelhante à da época da corrida espacial.

No setor da educação, além de pedir reformas para melhorar o ensino nas escolas e universidades, o presidente voltou a defender o Dream Act, um projeto que autorizaria a concessão de vistos para milhares de estudantes estrangeiros que já vivem no país. Obama também aproveitou para pressionar sobre uma reforma da imigração .

No setor de infraestrutura, o presidente focou na necessidade de se investir em linhas de trens rápidos e internet rápida. Sobre o déficit público, Obama propôs o congelamento de alguns gastos do governo nos próximos cinco anos. Ele afirmou que isto poderá reduzir o déficit em mais de 400 bilhões de dólares na próxima decada.

Raquel Krähenbühl, correspondente da RFI em Washington

Para o presidente, através destes investimentos, será possível transformar a "América no melhor lugar da terra para se fazer negócios." Analistas afirmaram, que com este discurso, ficou evidente que o presidente vai dar prioridade à agenda doméstica nos próximos anos. Muitos dizem que o ‘mantra’ de agora em diante será oportunidade, emprego e crescimento e não tratados, guerras e diplomacia. Obama também disse que a Guerra do Iraque está chegando ao fim e, no Afeganistão, progressos estão sendo feitos. O presidente também disse que apoia o povo da Tunísia em suas aspirações democráticas e que saúda o recente voto pacífico por independência no Sudão.

Visita ao Brasil

Obama também anunciou sua primeira visita ao Brasil, que acontecerá em março. Diante de um congresso dividido, em seu segundo discurso do Estado da União, o presidente Obama frisou que Democratas e Republicanos precisam trabalhar juntos para enfrentarem os desafios. O presidente disse que agora os dois partidos irão dividir as responsabilidades e que todos vão seguir adiante juntos ou nada vai acontecer.

A divisão partidária ficou clara quando Obama falou do corte de impostos e da reforma do sistema de saúde, por exemplo. Nestes momentos, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, e seus colegas de partido não aplaudiram ou se manifestaram, como é tradição durante o discurso. Porém este ano, quebrando uma outra tradição, democratas e republicanos sentaram lado a lado, em homenagem às vítimas do tiroteio do Arizona no comeco no ano. Um atitude que agradou o presidente que nos últimos meses vem reforçando o pedido de união.
 

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