Brasil/Argentina

Em Buenos Aires, Dilma assina acordo para construção de reatores nucleares

Cristina Kirchner levou Dilma Rousseff para conhecer a famosa sacada da Casa Rosada.
Cristina Kirchner levou Dilma Rousseff para conhecer a famosa sacada da Casa Rosada. Reuters

Com a sua primeira viagem ao exterior, a presidente Dilma Rousseff inaugurou a sua agenda internacional pela Argentina, país considerado ponto de partida para o Brasil na sua estratégia de política exterior.

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Márcio Resende, de Buenos Aires, em colaboração especial para RFI

Durante a visita de Dilma, foram assinados 15 acordos bilaterais, com destaque para o campo energético. Num avanco da cooperação nuclear, cada país vai construir um reator nuclear, mas a partir de um projeto em comum. Enquanto o Brasil está mais avancado na produção de energia nuclear, a Argentina tem mais experiência em reatores para fins pacíficos. “Eu, Dilma Rousseff, ser presidente do Brasil e Cristina Kirchner, ser presidente da Argentina, mostra que é possível mudar a história, construir coisas novas, diferentes, que não são melhores, nem piores que as anteriores, mas que são diferentes e interpretam, e dão conta, dos novos tempos que correm aqui e no mundo”, disse Dilma.

Os dois países também estabeleceram cooperação em biocombustíveis. Brasil e Argentina são líderes mundiais em etanol e em biodiesel, respectivamente. Para a presidente Cristina Kirchner, duas mulheres nas presidencias das duas maiores eonomias da região era algo impensável até mesmo para as mais feministas.

A emocão envolveu ainda outros grupos de mulheres consideradas ícones mundiais na luta pelos Direitos Humanos. Como mulher e como vítima da ditadura brasileira, Dilma Rousseff teve um encontro com as Mães e com as Avós da Praca de Maio. Até agora, a Argentina é o único país da regiao que julga e que condena os ex-repressores do último regime militar.

A presidente Cristina Kirchner levou Dilma Rousseff para conhecer a famosa sacada da Casa Rosada de onde o mítico general Juan Domingo Perón fazias os seus históricos discursos. Da sacada, a presidente Dilma saudou os curiosos que a observavam na Praça de Maio.

De acordo com assessores que acompanharam a presidente, Dilma pretende dar ênfase à sua política de direitos humanos. O Brasil foi muito criticado na era Lula por sua postura em relação ao tema. Para muitos especialistas, nos últimos 8 anos o país privilegiou seus interesses comerciais, como no caso do Irã. Para mudar essa imagem, Dilma tem dito que não irá tolerar qualquer desrespeito aos direitos humanos, independentemente do país em que ocorram.

Antes de voltar para Brasília, Dilma almoçou com Kirchner no palácio San Martin, em uma recepção para 250 convidados. As duas deram uma declaração conjunta, onde Dilma afirmou que "Brasil e Argentina são cruciais para transformar o século 21 no século da América Latina."

Oito ministros acompanharam Dilma na viagem: Nelson Jobim, do Ministério da Defesa, Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para Mulheres, Mário Negromonte, das Cidades, Aloizio Mercadante, de Ciência e Tecnologia, Paulo Bernardo, das Comunicações, Antonio Patriota, das Relações Exteriores, Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e o ministro interino do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

 

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