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Argentina/Brasil

Governo argentino pressiona a Petrobras por investimentos

Edison Lobão, Ministro das Minas e Energia do Brasil.
Edison Lobão, Ministro das Minas e Energia do Brasil. RFI/Márcio Resende
4 min

Em visita a Buenos Aires para a licitação das obras de construção de duas usinas hidrelétricas na fronteira entre o Brasil e a Argentina, o ministro brasileiro das Minas e Energia, Edison Lobão, recebeu o pedido pessoal da presidente Cristina Kirchner para que a Petrobras aumente a sua presença na Argentina.

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Com regularidade, o governo argentino culpa as empresas petrolíferas, entre as quais a Petrobras, pelas crises na produção de energia e no abastecimento de combustível no país. Autossuficiente até poucos anos atrás, a Argentina tem cada vez mais importado energia e visto as suas reservas de gás e petróleo diminuírem.

O ministro das Minas e Energia do Brasil, Edison Lobão, falou em Buenos Aires sobre o pedido que recebeu diretamente da presidente Cristina Kirchner. “A presidente pediu uma presença mais forte da Petrobras aqui. Presença mais forte tem que ser com investimento”, revelou o ministro. Dentro de 15 dias, haverá uma reunião em Brasília para tratar do assunto com o ministro argentino do Planejamento, Julio de Vido, com a presidente da Petrobras, Graças Foster, e com o próprio ministro Edison Lobão.

O aumento dos investimentos da Petrobras na Argentina representaria uma inversão na estratégia adotada pela companhia brasileira nos últimos anos, quando se desfez de diversos ativos como uma refinaria e metade da sua rede de postos de gasolina. Mas agora, segundo o ministro, a Petrobras poderia começar a atuar no setor de gás não-convencional e ampliar a sua rede de postos.

Lobão não considera uma eventual mudança de rumo como uma contradição. Usou o exemplo da Bolívia para mostrar que a Petrobras pode voltar a investir onde antes tinha reduzido a sua presença. “(A Petrobras) pode voltar a atuar (na Argentina). Nós não fizemos isso com a Bolívia, por exemplo? A Petrobras reduziu também na Bolívia e voltou a investir depois na Bolívia”, comparou.

Garabi-Panambi sai do papel 40 anos depois

O ministro Edison Lobão foi a Buenos Aires para participar da abertura dos envelopes de licitação das obras de construção das hidrelétricas de Garabi e Panambi, na fronteira brasileira com a Argentina. As duas usinas devem começar a ser construídas daqui a 20 meses e vão começar a gerar 2.200 megawatts a partir de 2018 para os dois países. A energia produzida nas duas novas hidrelétricas será equivalente a 2% da energia explorada no Brasil, representando 10% do consumo de todas as residências brasileiras. O custo da obra deve ficar em torno de 4,2 bilhões de dólares.

O projeto nasceu em 1972. Virou Tratado bilateral em 1980. Foi retomado e alterado em 2005. E virou licitação em 2012, 40 anos depois de ter sido pensado. Os 2.200 megawatts vão duplicar a capacidade de troca de energia entre Brasil e Argentina. Desde 2008, os dois países conseguem trocar energia através de uma linha de transmissão de até 2.000 megawatts.

Carente de produção própria, a Argentina importa entre maio e julho, meses que requerem mais energia para o aquecimento de residências durante o inverno. Essa troca tem sido crucial para evitar um apagão no território argentino. Entre os meses de agosto e novembro, a energia é devolvida ou paga.

O ministro Lobão adiantou que o Brasil estuda a construção de mais hidrelétricas no Peru e na Guiana.

 

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