Venezuela/Chávez

Venezuelanos se preparam para dias de incerteza após morte de Hugo Chávez

Os presidentes Cristina Kirchner, da Argentina, José Mujica, do Uruguai, e Evo Morales, da Bolívia, estiveram presentes no funeral de Hugo Chávez, em Caracas.
Os presidentes Cristina Kirchner, da Argentina, José Mujica, do Uruguai, e Evo Morales, da Bolívia, estiveram presentes no funeral de Hugo Chávez, em Caracas. REUTERS/Miraflores Palace/Handout

A população venezuelana se prepara nesta quinta-feira, 7 de março de 2013, para mais dois dias de funeral após a morte do presidente Hugo Chávez. A cerimônia teve início na noite de quarta-feira após um longo cortejo que passou por diversos pontos da capital Caracas. Apesar da atmosfera tranquila, a população se mostra preocupada diante da incerteza sobre o futuro político do país, e algumas pessoas até já começaram a estocar comida e combustível.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

Milhares de pessoas devem passar pela Academia Militar para se despedirem do presidente que ficou por 14 anos no poder. No início a cerimônia foi transmitida em rede nacional, porém o corpo de Chávez não aparecia nas imagens. Depois dos familiares mais próximos, foi a vez dos militares se despedirem do líder. Em seguida o espaço foi aberto à visitação pública. A falta de notícias sobre o local do sepultamento leva população a pedir que Chávez seja sepultado no Panteão Nacional.

A presidente brasileira Dilma Rousseff viajará na manhã desta quinta-feira a Caracas para participar do funeral. Ela também decretou três dias de luto oficial pela morte do líder venezuelano. Os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, Uruguai, José Mujica, e Bolívia, Evo Morales, já estão em Caracas. O governo do Irã decretou um dia de luto oficial e o presidente Mahmoud Ahmadinejad disse a jornalistas que "provavelmente" comparecerá ao enterro.

Embora o clima seja de tranquilidade, muitas pessoas preferiram se precaver e foram aos supermercados comprar produtos não perecíveis. Nos postos de gasolina as longas filas deixavam transparecer a preocupação que paira entre a população.

Em um país divido politicamente, há receio de que a situação fique tensa. Os constantes comunicados feitos pela alta cúpula militar despertam preocupação. Para alguns as declarações deste grupo possuem um tom de intimidação.

O secretário executivo da coligação Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, ficou indignado com a afirmação do ministro da Defesa, Diego Molero Bellavia, que pediu para a  “Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) consolidar a missão encomendada pelo presidente: levar Nicolás Maduro à presidência”.

Em um dia onde todas as atenções se voltavam para o velório de Chávez, ganhou destaque o primeiro documento assinado por Nicolás Maduro como presidente temporário da Venezuela, no qual ele determinava luto oficial de sete dias em todo o país.

A morte de Hugo Chávez abre um momento de grande incerteza na Venezuela. No momento a dúvida gira em torno do cumprimento das diretrizes impostas pela Constituiçã. O texto determina que novas eleições deverão ser convocadas dentro de um prazo de trinta dias após a falta absoluta do presidente eleito. Se esta regra for obedecida, novas eleições presidenciais deverão ser realizadas no dia 6 de abril.

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