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Cúpula da Unasul se reúne em Lima para levar apoio a Maduro

Partidários de Nicolas Maduro seguram cartazes de Chavez
Partidários de Nicolas Maduro seguram cartazes de Chavez REUTERS/Tomas Bravo

Os países que formam a Unasul, a União das Nações Sulamericanas, se reúnem nesta quinta-feira em Lima para discutir a crise política na Venezuela. A presidente Dilma Rousseff já confirmou presença no encontro, e em seguida viaja para a posse do novo presidente venezuelano. Oito pessoas já morreram nas manifestações contra a eleição de Maduro nos últimos dias.

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Com a colaboração de Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

Além de Dilma Rousseff, os presidentes do Peru, do Uruguai, da Colômbia, da Argentina também participarão da reunião, uma iniciativa lançada pelo chefe de estado peruano Ollanta Humala. O objetivo é examinar "os recentes acontecimentos" na Venezuela, de acordo com um comunicado divulgado nesta quarta-feira. Os dirigentes sul-americanos deverão reiterar o apoio a Nicolas Maduro, cuja vitória é contestada pela oposição. A maior parte deles, depois do encontro, participará da cerimônia de posse do novo presidente venezuelano.

Eleito com 51% dos votos de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, Nicolás Maduro assume o cargo na sexta-feira. O Brasil, o Peru, o Equador, a Colômbia, a Bolívia e a Argentina reconheceram a vitória, ao contrário dos Estados Unidos. A União Europeia também se declarou preocupada pela “polarização crescente da sociedade venezuelana." Oito pessoas morreram nas manifestações recentes para contestar a eleição de Maduro. Outros 30 países ligaram para parabenizar o novo presidente. Capriles entrou com um recurso na Justiça nesta quarta-feira exigindo uma recontagem manual dos votos -foram apenas 276 mil votos de diferença.

De acordo com Luisa Estella Morales, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, não é possível fazer a contagem manual dos votos porque "este sistema não existe na Venezuela". Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, impediu quatro deputados opositores de intervir em uma sessão da casa porque eles se negaram a reconhecer Nicolás Maduro o presidente do país. Esta decisão foi considerada anticonstitucional por membros da oposição.

Nicolás Maduro modera o tom

O presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, moderou o tom de seu discurso após ameaçar "radicalizar a revolução" em decorrência dos conflitos populares em todo o país. O herdeiro de Hugo Chávez prometeu prender Capriles acusando-o de ser responsável pelo saldo de mortos e feridos dos últimos dias. Capriles menosprezou as insinuações de Maduro alegando que "seria penalizado por convocar um panelaço".

Desde a última segunda-feira o clima no país é tenso devido à negativa do Poder Eleitoral em recontar os votos e às suspeitas de que houve fraude nas eleições. Maduro afirma que Capriles quer dar um golpe de Estado. Ambos os adversários convocaram manifestações para todas as noites até a próxima sexta-feira. Capriles pediu um panelaço e Maduro, um foguetaço, e o que se ouve das 20 às 21 horas em todo o país é uma verdadeira guerra auditiva. Cada lado querendo fazer mais barulho.

As medidas do governo têm causado descontentamento não só entre opositores. A ameaça feita por Maduro de destituir Henrique Capriles do cargo de governador de Miranda teve efeito contrário e chavistas foram à capital deste estado para apoiar o opositor alegando que ele foi eleito constitucionalmente.

Países e organizações que haviam se manifestado a favor da recontagem dos votos voltaram atrás e reconheceram o "filho de Chávez" como o vencedor desta acirrada disputa. Maduro será empossado nesta sexta-feira, quando a Venezuela comemora a primeira declaração de Independência, assinada em 1810. Maduro anunciou que vai "tomar medidas radicais no setor elétrico à partir da próxima segunda-feira. Este será um serviço do Estado e cuidado com disciplina militar".
 

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