Cárcere privado

Mulheres são libertadas nos EUA depois de dez anos de cativeiro

Moradores do bairro onde mulheres foram encontradas fazem oração em frente à casa que serviu de cativeiro por dez anos
Moradores do bairro onde mulheres foram encontradas fazem oração em frente à casa que serviu de cativeiro por dez anos REUTERS/Aaron Josefczyk

Nesta segunda-feira, três irmãos foram presos em Cleveland, no estado norte-americano de Ohio, por manter três mulheres e a filha de uma delas em cárcere privado durante dez anos. Os três homens foram identificados como Oneil, Ariel e Pedro Castro, de 50, 52 e 54 anos, respectivamente.

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"São muitas perguntas sem resposta", declarou o prefeito da cidade, Frank Jackson, em uma coletiva de imprensa. "Por que elas foram sequestradas? Como elas foram sequestradas? E como elas permaneceram esse tempo todo em Cleveland sem ser percebidas?"

Gina de Jesus, 23, Michelle Knight, 30, e Amanda Berry, 27, desapareceram em ocasiões diferentes. Gina sumiu em 2 de abril de 2004, quando saía da escola. Na época, ela tinha 14 anos. Michelle foi vista pela última vez aos 21 anos, próxima da casa de um primo, em 23 de agosto de 2002. E Amanda, mãe da menina de seis anos que nasceu no cativeiro, foi raptada depois de sair do fast food em que trabalhava, a poucas quadras de sua casa, no dia 21 de abril de 2003, aos 16 anos. Sua mãe, Lowana Miller, morreu de tristeza em março de 2006.

De acordo com o chefe de polícia de Cleveland, Michael McGrath, elas foram descobertas porque Amanda Berry conseguiu ligar para a emergência, com a ajuda de um vizinho. "Graças à ação corajosa de Amanda, essas três mulhees estão vivas hoje". De acordo com o representante do FBI Steve Anthony, "os policiais choraram" ao encontrar as moças. "É o fim de um pesadelo", disse. As quatro passaram por exames médicos em um hospital local e estão "relativamente em bom estado de saúde".

O vizinho Charlie Czorb se disse chocado com o fato de elas terem passado tanto tempo na casa sem que ninguém percebesse. "Essas meninas estavam presas praticamente no nosso quintal", declarou. Charles Ramsay, que também mora nas redondezas descreveu o motorista de ônibus Ariel Castro como um músico simpático, que recebia a filha e os netos em casa. "Fiz alguns churrascos com esse cara", lembrou. "Escutamos salsa juntos!"

Foi Ramsey quem ajudou Amanda a chamar a polícia. "Ouviu um grito e vi essa moça tentando sair da casa desesperadamente", afirmou à rede de televisão local. "Fui até a porta da casa e ela me disse: 'me ajuda a sair, estou aqui há muito tempo'". O vizinho tentou arrombar a porta, mas não conseguiu. Quando ela finalmente consegiu ligar para a polícia, falou "Sou Amanda Berry. Fui sequestrada e estou desaparecida há dez anos. Agora, estou livre".

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