EUA/ Cleveland

Sequestrador de Cleveland é o pai da criança nascida no cativeiro

Trecho do vídeo postado no Youtube mostra a entrevista de Angie Gregg, filha do acusado Ariel Castro, concedida ao canal de TV americano CNN nesta quinta-feira, 9 de maio de 2013.
Trecho do vídeo postado no Youtube mostra a entrevista de Angie Gregg, filha do acusado Ariel Castro, concedida ao canal de TV americano CNN nesta quinta-feira, 9 de maio de 2013. Reprodução Youtube/CNN

O procurador-geral de Ohio disse nesta sexta-feira que os testes de DNA mostraram que Ariel Castro, suspeito do caso de sequestro e estupro de três mulheres em Cleveland, nos Estados Unidos, é o pai da criança de 6 anos de idade que nasceu enquanto ele supostamente teria mantido a mãe da menina e outras duas mulheres em cativeiro por quase uma década.

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O procuradoria-geral Mike DeWine disse, em um comunicado, que "os peritos forenses trabalharam durante toda a noite para confirmar que Castro é o pai da menina de 6 anos de idade, nascida em cativeiro de uma das vítimas de sequestro", Amanda Berry. DeWine acrescentou que os testes também mostraram que o DNA de Castro não foi encontrado em outros casos de Ohio, embora o FBI ainda esteja verificando a amostra com casos nacionais.

O homem foi formalmente acusado na quarta-feira pelos sequestros das moças, ocorridos separadamente, e por tê-las estuprado. Um promotor de Ohio disse na quinta-feira que, por causa dos abortos, pretende imputar crimes de homicídio qualificado contra Castro, o que pode acarretar a pena de morte. Segundo a polícia, Castro capturou as três vítimas depois de lhes oferecer caronas, e as manteve presas com correntes e cordas.

Filha de Castro diz viver “como em um filme de terror”

Nesta quinta, a filha mais velha de Ariel Castro, deu uma entrevista para a emissora CNN, na qual afirma estar vivendo “um filme de terror”. “É como olhar um filme ruim no qual nós somos os personagens principais”, declarou Angie Gregg.

A filha relatou que o pai jamais quis ficar mais do que um dia fora de casa. “Todas essas coisas estranhas que eu percebi ao longo dos anos, como a maneira como ele trancava cuidadosamente toda a casa, além de alguns cômodos da casa, agora fazem sentido”, afirmou a jovem. “Ele também jantava na minha avó, saía por uma hora e depois retornava, sem dar qualquer explicação.”

Angie contou que o acusado, ex-motorista de ônibus escolar, mostrou-lhe uma foto de uma criança há cerca de dois meses, dizendo ser a filha de uma amiga e comentando “como ela é bonita”. “Eu disse que ela parecia a Emily, minha irmã menor, mas ele falou que não era filha dele.” A menina da foto era Jocelyne. “Não quero nunca mais vê-lo”, desabafou Angie.

Vítima não quer ver familiares

Michelle Knight, a refém que mais tempo passou no cativeiro, está livre após 11 anos, mas rejeita visitas de parentes no hospital onde permanece desde segunda-feira à noite. A vítima, de 32 anos, está em boas condições de saúde, mas não aceitou receber sua mãe nem sua avó, que haviam se mudado para a Flórida depois do desaparecimento dela   na época, interpretado por familiares como uma fuga.

"Ela não quer ser vista pela família", disse Deborah, avó da moça, à Reuters. Michelle já era uma mãe solteira quando desapareceu, em 2002, após perder uma disputa judicial com autoridades pela custódia do seu filho, que na época tinha 3 ou 4 anos. "Eles o levaram e ela saiu de casa e nunca mais voltou", contou a avó, explicando por que a família achava que ela havia fugido.

Um dos dois irmãos de Michelle, Freddie, esteve no hospital e a visitou imediatamente depois de ela ser localizada pela polícia dentro da casa onde passou anos presa. "Sua pele estava branca como um fantasma", disse Freddie. "Ela me disse que estava animada em começar uma nova vida." Depois disso, ele conversou com a irmã por telefone uma vez, mas disse que, a pedido dela, “a deixaria em paz no hospital”.

As outras duas ex-reféns, Amanda Berry e Gina DeJesus, deixaram o hospital na terça-feira e voltaram na quarta-feira para as casas de parentes. Michelle precisou de cuidados adicionais porque, segundo a polícia, sofreu pelo menos cinco abortos ao ser agredida e submetida a jejuns pelo suposto sequestrador.
 

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