Venezuela/violência

Maduro coloca três mil militares nas ruas para acabar com a violência na Venezuela

Manifestação da oposição venezuelana, no dia 16 de abril
Manifestação da oposição venezuelana, no dia 16 de abril Reuters

O Plano Pátria Segura, anunciado esta semana pelo presidente Nicolas Maduro, acaba de entrar em vigor. Para combater os altos índices de violência na Venezuela, três mil militares foram colocados nas ruas de Caracas, estrategicamente posicionados em regiões com altos índices de criminalidade. Na próxima semana o plano será estendido para os estados de Zúlia, Lara e Carabobo

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Elianah Jorge, correspondente da RFI na Venezuela

O próprio presidente Maduro reconheceu que um dos principais problemas do país é a insegurança. “Podemos avançar em tudo, mas se não conseguirmos superar este problema que abate o povo como um flagelo, não teremos feito nada”, declarou o chefe de Estado.

Este é o vigésimo plano de segurança implementado pelo governo bolivariano desde a gestão de Hugo Chávez. A Venezuela é considerada um dos países mais perigosos do continente sul-americano, com altos índices de homicídios. Somente este ano, de janeiro até hoje cerca de 3.400 pessoas foram assassinadas em todo o país.

De acordo com o ministro de Interior e Justiça, Miguel Rodríguez Torres, os três mil militares nas ruas são integrantes do Exército, da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), da Guarda e da Polícia Nacionais, além de funcionários do Sebin, o Serviço Bolivariano de Informação. Nicolás Maduro pediu que o ministro de Interior integre ao Plano Pátria Segura os 400 mil integrantes da milícia bolivariana.

Plano é dividido em quatro partes

O Plano está dividido em quatro partes. A primeira, já realizada, serviu para identificar os pontos mais vulneráveis de Caracas. O posicionamento nas ruas integra a segunda fase. Na terceira, o enfoque será sócio-político e terá a ajuda de alguns ministérios.

Na quarta e última parte, serão incorporados mais 10 mil corpos de segurança. Rodríguez também informou que após seis meses os membros da FANB serão substituídos por policiais e pela Guarda Nacional Bolivariana, integrada ao Comando da Guarda do Povo. “Na medida em que novos funcionários se incorporem ao Plano, iremos retirando os integrantes do Exercito das ruas", disse

Um grupo que traficava drogas foi desarticulado e três pessoas foram presas no primeiro dia da medida.Segundo Nicolas Maduro, programas de TV seriam um dos principais motivadores da violência. O presidente, que costuma reclamar da atenção dada a ele pela mídia, propôs que a FANB crie um canal para “mostra ao povo venezuelano todo o potencial criativo dos soldados bolivarianos”.Para o deputado opositor Miguel Angel Rodríguez, o Plano Pátria Segura significa a “militarização da institucionalidade do Estado”.
 

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