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Venezuela vai cobrar por casas entregues em programa social

Oposição venezuelana protesta nas ruas
Oposição venezuelana protesta nas ruas REUTERS/Marco Bello

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez ontem um anúncio que pegou de surpresa os seguidores do chavismo: as casas entregues pelo governo passarão a ser cobradas de acordo com a renda familiar.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI na Venezuela

A medida contraria a origem do principal programa social implementado pelo ex-presidente Hugo Chávez que é beneficiar o povo com o dinheiro recebido pelo Estado através da exportação do principal produto nacional: o petróleo.

Maduro anunciou que o governo está organizando um sistema para que "de acordo com as leis e cálculos justos, cada um pague por sua casa".Conhecida como Missão Vivenda, o benefício outorga residências gratuitas para famílias de baixa renda. Muitas delas, antes de ganharem o lar, moravam em refúgios, os espaços coletivos habitados por dezenas de pessoas em carência habitacional.

Os números de casas entregues em toda a Venezuela chegam a 381 mil, até então todas foram subsidiadas pelo governo venezuelano.Especialistas apontam a Missão Vivenda como um dos maiores fatores que contribuíram para que Chávez ganhasse as eleições de outubro do ano passado e Maduro, a de abril deste ano. Eles acreditam que esta decisão possa afetar a popularidade do governo de Nicolas Maduro.

“Como vamos sustentar o gasto e o investimento nos próximos anos? Fazendo mágica? Temos que sustentá-la entre todos", declarou o presidente durante uma visita do chamado " governo de rua", nome usado por Maduro para identificar sua gestão. De acordo com o presidente, será feito um registro para que cada beneficiário da Missão Vivenda possa pagar um fundo de acordo com seu salário.

"As coisas não podem ser dadas. O povo não quer as casas dadas. Se alguém sabe ganhar as coisas é o povo", afirmou o herdeiro político de Hugo Chávez. Esta decisão é um reflexo do delicado do momento pelo qual passa a economia da Venezuela. A inflação teve a maior alta dos últimos anos, chegando a 4,3 por cento em abril. Além disso, a escassez de alimentos da cesta básica é perceptível nas gôndolas dos supermercados.

A visita que Maduro fez recentemente em busca de apoio político também rendeu outros frutos. Para suprir a demanda, Brasil, Argentina e Uruguai se comprometeram a enviar alimentos à Venezuela em troca de benefícios no setor de energia. O país bolivariano, que vem implementando o chamado “Socialismo do Século XXI”, vai importar mais de 50 milhões de rolos de papel higiênico.

Esta semana Nicolas Maduro se reuniu Lorenzo Mendoza, o dono da Polar, a principal empresa de alimentos do país. Ambos decidiram não politizar o tema do fornecimento de alimentos e também vender ou alugar uma das fabricas do Governo para aumentar a produção de milho, ingrediente básico do principal prato nacional: a arepa.

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