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Venezuela/Protestos

Polícia da Venezuela invade acampamentos e prende 200 estudantes

Ativistas tentam recuperar uma barraca destruída pela polícia durante a madrugada na praça Bolívar, em Caracas.
Ativistas tentam recuperar uma barraca destruída pela polícia durante a madrugada na praça Bolívar, em Caracas. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
3 min

A polícia da Venezuela deteve nesta quinta-feira (8) 243 pessoas, a maioria estudantes, que estavam acampados há várias semanas em locais estratégicos de Caracas em protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Um dos acampamentos invadidos pelas tropas de choque ficava em frente a um escritório local da ONU. A operação policial começou durante a madrugada e poucos estudantes conseguiram escapar da prisão.

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O ministro do Interior da Venezuela, general Miguel Rodríguez Torres, justificou a intervenção afirmando que os acampamentos tinham se transformado em esconderijos de "grupos violentos", que cometiam "atos terroristas". No último mês, à parte as marchas da oposição e incidentes esporádicos, a maioria dos protestos contra o governo Maduro se concentraram nesses acampamentos de jovens. O maior deles foi instalado em frente ao escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), na capital.

Segundo o ministro do Interior, a polícia apreendeu na operação "drogas, armas, explosivos, morteiros, bombas de gás lacrimogênio e outros objetos que eram utilizados diariamente contra as forças de segurança". Uma equipe da polícia científica foi enviada aos locais desocupados "para levantar todas as evidências, classificá-las e apresentá-las ao tribunal competente, de modo que os responsáveis possam ser indiciados", acrescentou o ministro.

Poucos estudantes conseguiram escapar da investida da polícia. A maioria dos detidos foi levada para a sede da polícia bolivariana e outros para a base militar de Fuerte Tiuna, relatou a advogada e ativista de direitos humanos, Elenis Rodríguez.

Vaticano envia secretário de Estado a Caracas

O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal italiano Pietro Parolin, vai viajar "em breve" para a Venezuela para participar do diálogo entre o governo e a oposição. O cardeal, que já foi núncio apostólico em Caracas, uma espécie de embaixador do Vaticano, irá levar uma mensagem de paz do Papa Francisco, informaram nesta quinta-feira fontes religiosas.

A data da visita não foi divulgada, mas poderá acontecer na semana que vem, por ocasião da quinta mesa redonda entre governo e opositores, que foi adiada na semana passada. O cardeal Parolin está com a agenda repleta de compromissos devido à visita do Papa, no final do mês, a Israel.

Desde o dia 10 de abril, o governo e a oposição venezuelana começaram uma série de reuniões na presença dos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Colômbia e Equador, bem como do atual núncio apostólico em Caracas, monsenhor Aldo Giordano. Eles comparecem aos encontros como "testemunhas de boa vontade" para resolver a crise política.

O chanceler da Venezuela, Elias Jaua, reuniu-se recentemente com o cardeal Parolin em Roma, à margem das cerimônias de canonização de João XXIII e João Paulo II, no final de abril.

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