Venezuela/Colômbia/Contrabando

Venezuela fecha fronteira com Colômbia para evitar contrabando

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro (e), e o colombiano, Juan Manuel Santos, decidiram fechar a fronteira entre os dois países durante a noite.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro (e), e o colombiano, Juan Manuel Santos, decidiram fechar a fronteira entre os dois países durante a noite. REUTERS/Stringer

Para tentar frear o contrabando de alimentos e combustíveis, a Venezuela decidiu fechar à partir desta segunda-feira (11) a fronteira com a Colômbia. O trânsito entre os dois países ficará impedido durante a noite. A decisão é resultado de um acordo assinado pelos presidentes venezuelano, Nicolás Maduro, e colombiano, Juan Manuel Santos.

Publicidade

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

Os automóveis não poderão cruzar a fronteira entre a Venezuela e a Colômbia entre 22h (horário local) até às 5h. Já para os veículos de carga a restrição vai até as 6h.

De acordo com números oficiais do governo da Venezuela, o contrabando para a Colômbia representa 40% da saída de produtos básicos, além de 100 mil barris diários de combustíveis, o que significa perdas de mais de US$ 3 bilhões anuais. O fluxo ilegal de produtos e gasolina agrava ainda mais a escassez nos Estados venezuelanos fronteiriços, como Zulia e Táchira.

A diferença cambial é o motivo pelo qual os contrabandistas da Colômbia preferem adquirir produtos em território venezuelano. As mercadorias são compradas na Venezuela em bolívares, moeda desvalorizada se comparada com o peso colombiano, o que significa uma grande margem de lucro para aqueles que praticam a venda ilegal na Colômbia.

O Centro Binacional contra o Contrabando terá uma sede em Táchira, no lado venezuelano, e outra na cidade colombiana de Cúcuta, como medida conjunta para garantir a eficácia do plano, que terá 30 dias de duração.

Vladimir Padrino, coordenador do centro, informou que o trânsito de cargas será proibido em todos os municípios ao longo dos 2.200 quilômetros de fronteira entre ambos os países. Ao todo, 17 mil militares irão participar da operação. “No primeiro semestre deste ano foram apreendidas 21 mil toneladas de alimentos destinados ao contrabando de extração”, detalhou Padrino.

Embora a meta seja evitar a escassez de produtos, venezuelanos e colombianos estão criticando a decisão. Segundo eles, os mais afetados serão os moradores das regiões de fronteira, que não poderão transitar livremente entre os dois países e que por isso terão seus direitos limitados.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.