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México/Violência

Teste de DNA identifica corpo de um dos 43 estudantes desaparecidos no México

Um manifestante leva um cartaz com a foto de Alexander Mora Venancio, um dos 43 estudantes desaparecidos.
Um manifestante leva um cartaz com a foto de Alexander Mora Venancio, um dos 43 estudantes desaparecidos. REUTERS/Carlos Jasso
Texto por: RFI
3 min

Mais de dois meses após o desaparecimento de 43 estudantes no Estado de Guerrero, no México, a análise de restos mortais encontrados em um aterro sanitário revelou que se trata do corpo de um dos estudantes sequestrados em setembro passado. A equipe de legistas responsáveis pela investigação notificou os pais dos estudantes.

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Felipe de la Cruz, porta-voz dos familiares dos estudantes desaparecidos, disse que as famílias continuam determinadas em esclarecer as circunstâncias do crime. “Se eles pensam que nós vamos apenas chorar porque o DNA de um dos meninos foi identificado, eles estão enganados. Vamos encontrar os outros 42”. O único estudante identificado é Alexander Mora Venâncio. “O povo de Guerrero está em pé de guerra e permanecerá assim até que os culpados sejam punidos”, afirmou Felipe de la Cruz.

De acordo com a versão da polícia, que se baseia no testemunho de três homens que teriam confessado o crime, os estudantes foram assassinados e, em seguida, queimados. As cinzas dos corpos e parte dos restos mortais foram jogados em um aterro sanitário. O crime teria sido cometido por policiais ligados a uma quadrilha de narcotraficantes.

Essa hipótese, porém, é rejeitada pelos pais das vítimas. Muitos deles acreditam que os estudantes ainda estão vivos e são mantidos como reféns em algum lugar do México. Eles exigem provas do assassinato dos estudantes e querem a identificação de todos os corpos.

Segundo o Ministério Público mexicano, 70 pessoas foram detidas para averiguação. A maioria delas confirma a informação de que os estudantes foram raptados por policiais e entregues ao traficantes de drogas. Os cadáveres dos secundaristas teriam sido queimados por cerca de 15 horas.

Processo complicado de identificação

O processo de identificação de traços de DNA em cinazs é extremamente complicado e praticamente impossível, dizem especialistas. A equipe de um laboratório austríaco e médicos legistas argentinos envolvidos no caso esperam poder identificar o material genético dos estudantes desaparecidos a partir de fragmentos de ossos.

“Para nós, ainda não está claro se os 43 estavam juntos em Cocula [local onde o massacre provavelmente aconteceu] nem que eles tenham sido mortos nesse lugar. As autoridades têm que nos explicar onde estão os desaparecidos”, disse Miguel Agustin Pro Juarez, diretor da ONG Centro de Direitos Humanos.

Após o desaparecimento dos estudantes em setembro, o país vive diariamente protestos contra a corrupção policial, a influência nefasta do narcotráfico e a incompetência das autoridades mexicanas em lidar com o crime organizado.

Desde o lançamento de uma ofensiva militar contra traficantes de drogas no México em 2006, mais de 80 mil pessoas foram assassinadas e 22 mil permanecem desaparecidas.

 

 

 

 

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