Argentina/Justiça

Promotor que herdou caso Nisman poderá indiciar Cristina Kirchner

A presidente Cristina Kirchner evocou a morte de Nisman em pronunciamento na TV no dia 26 de janeiro passado.
A presidente Cristina Kirchner evocou a morte de Nisman em pronunciamento na TV no dia 26 de janeiro passado. REUTERS/Argentine Presidenc

O promotor Gerardo Pollicita poderá solicitar nesta sexta-feira (13) o indiciamento da presidente argentina, Cristina Kirchner, e de seu ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, por suspeita de envolvimento em uma conspiração com o governo iraniano. O caso era investigado por Alberto Nisman, o promotor encontrado morto no dia 18 de janeiro, quatro dias depois de acusar o governo Kirchner de ter encobertado os responsáveis iranianos do atentado visando uma associação judaica de Buenos Aires. O ataque deixou 85 mortos e 300 feridos em 1994.

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Pollicita e o juiz Daniel Rafecas assumiram o caso após a morte de Nisman. O jornal argentino Clarín informa nesta sexta-feira que Pollicita poderá indiciar, além de Kirchner e Timerman, os demais suspeitos investigados por Nisman. 

A morte do promotor não teria sido suficiente para abafar as suspeitas. A Promotoria continuou a analisar as denúncias e agora pode indiciar a presidente. Seria um sinal de que a investigação feita por Nisman tinha bases sólidas.

O governo argentino já prepara sua defesa, segundo o Clarín. A procuradora Angelina Abbona poderia publicar ainda nesta sexta-feira um documento atestando que não existem indícios de "ações ilícitas" de membros do governo nas investigações realizadas por Nisman. Mas aparentemente, não é o que pensa a Promotoria.

Nisman acusou Kirchner de ter colaborado com um "projeto criminoso" para garantir a impunidade de iranianos suspeitos do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994. A presidente teria contado com a ajuda do chanceler Timerman, do deputado Andrés Larroque e de Luis D’Elía, ex-integrante do governo.

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