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Diálogos entre EUA e Cuba se concentram na reabertura de embaixadas

A capital norte-americana recebe representantes dos governos dos Estados Unidos e de Cuba nesta sexta-feira (27).
A capital norte-americana recebe representantes dos governos dos Estados Unidos e de Cuba nesta sexta-feira (27). REUTERS/Joshua Roberts

A segunda rodada de conversas entre os Estados Unidos e Cuba será realizada nesta sexta-feira (27) em Washington. Os países tentam restabelecer as relações diplomáticas depois de meio século de conflito e um bloqueio econômico imposto à economia da ilha comunista.

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Representantes dos dois governos estarão reunidos durante todo o dia no departamento de Estado norte-americano, pela primeira vez depois dos primeiros encontros oficiais em Havana, no final de janeiro, e do histórico pronunciamento simultâneo dos presidentes Barack Obama e Raúl Castro.

O objetivo do encontro é discutir a reabertura de embaixadas nas duas capitais e nomear funcionários, que devem começar a trabalhar ainda na primeira metade deste ano. A ideia é que os órgãos estejam operando já na próxima Cúpula das Américas, que acontecerá nos dias 10 e 11 de abril, no Panamá. Outro assunto a ser discutido são as questões de imigração.

Fim do embargo

Já o fim do embargo esbarra no Congresso dominado pela oposição republicana e deve ser discutido em outro momento. Outra demanda de Castro é que Cuba seja retirada de uma lista do departamento de Estado que a coloca entre os países que apoiam o terrorismo, ao lado de Irã, Síria e Sudão.

Entrevistado pela RFI, Rafael Hernandez, analista político cubano e diretor da revista Temas, afirma que Obama pode aliviar o embargo antes mesmo da decisão final do Congresso sobre a questão. “Para acabar legalmente e formalmente o embargo, é necessária a aprovação do Congresso. Mas, nos próximos dois anos de seu mandato, o presidente americano pode promover a evolução das trocas comerciais e financeiras”, diz.

As medidas anunciadas por Washington desde dezembro do ano passado, como as exportações e importações de alguns produtos do setor privado ou a possibilidade das empresas de telecomunicação americanas de investir em Cuba, são um começo. Mas Cuba ainda não pode exportar rum ou cigarros devido ao embargo.

Obama gostaria que a bandeira norte-americana fosse hasteada em Havana antes da Cúpula no Panamá, ocasião em que o chefe de Estado deve se reunir com Raul Castro. Apesar da esperança com o restabelecimento dos diálogos, muitos temem que as mudanças demorem ainda muito tempo até serem colocadas em prática.

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