Cuba/Terrorismo

Havana considera "justa" decisão dos EUA de retirar Cuba de lista de países que apoiam terrorismo

Aperto de mão dos presidentes cubano, Raul Castro, e norte-americano, Barack Obama, durante a cúpula das Américas, no dia 11 de abril de 2015.
Aperto de mão dos presidentes cubano, Raul Castro, e norte-americano, Barack Obama, durante a cúpula das Américas, no dia 11 de abril de 2015. REUTERS/Jonathan Ernst

O governo cubano estimou que foi uma "decisão justa" o pedido do presidente norte-americano Barack Obama de retirar Cuba da lista dos países que apoiam o terrorismo. Segundo um comunicado divulgado nesta terça-feira (14) pelo Ministério cubano das Relações Exteriores, o país nunca deveria ter sido incluído na classificação porque condena todas as formas de extremismo e também todo tipo de apoio e financiamento de atos terroristas.

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"O governo de Cuba reconhece a decisão justa tomada pelo presidente dos Estados Unidos de retirar Cuba de uma lista da qual o país jamais deveria ter sido incluído", indicou o documento.

Nesta terça-feira à noite (14), Obama informou, por meio de um comunicado, que o Congresso norte-americano tem a intenção de retirar Cuba desta lista, onde também figuram Síria, Sudão e Irã. Os Estados Unidos têm 45 dias para aprovar a decisão, que é um dos principais obstáculos para que a relação entre os dois países seja normalizada.

A resolução, sobre a qual Obama tem poder de veto, deve ser apoiada pela maioria do Congresso, de acordo com o correspondente da RFI em Washington, Jean-Louis Pourtet. Entre os opositores, o jornalista lembra que há vários democratas e republicanos. Entre eles, o candidato republicano à presidência Marco Rubio, de origem cubana, que classificou a medida como "terrível" e afirmou que Cuba é um Estado que apoia o terrorismo.

Exigência de Raúl Castro

A retirada de Cuba da lista era uma exigência do governo do presidente Raúl Castro para o restabelecimento das relações entre os dois países. A inclusão está em vigor desde 1982 quando o governo de Ronald Reagan acusou Havana de apoio ao grupo separatista basco ETA e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). ִ

Para o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, "as circunstâncias mudaram desde 1982". A medida também impede Havana de receber todo tipo de assistência dos Estados Unidos e também de acesso aos mercados financeiros internacionais. Caso seja retirada da lista, a ilha poderá reabrir sua embaixada nos Estados Unidos e ser integrada ao sistema bancário do país.

Moradores comemoram

Em Havana, os cubanos comemoraram a decisão de Obama. "Já estava na hora de as pessoas se darem conta de que Cuba não é o que dizem no mundo inteiro", disse uma cubana à correspondente da RFI no país. "Parece que é uma boa intenção do presidente Obama. Cuba não patrocina o terrorismo. Ao contrário, ajuda muitos países", declarou um outro entrevistado.

Além da imagem do país no exterior, os cubanos também expressaram sua esperança de que a medida possa trazer melhorias ao país. "Acredito que é um passo importante para mudar a nossa situação", declarou uma havanesa.

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