Colômbia/Farc

Presidente da Colômbia retoma bombardeios contra Farc

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (ao centro), cercado pela cúpula militar na base de Cali, em 15 de abril de 2015.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (ao centro), cercado pela cúpula militar na base de Cali, em 15 de abril de 2015. REUTERS/Efrain Herrera

O presidente colombiano Juan Manuel Santos decidiu na noite de quarta-feira (15) recomeçar os bombardeios contra os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - as Farc. Santos considera que a guerrilha atacou deliberadamente um grupo de militares na zona rural de Cauca, no sudoeste do país, que matou dez soldados e feriu 21.

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Na base militar de Cali, o presidente Juan Manuel Santos deu uma declaração pela TV, cercado por membros da cúpula militar do país. Ele afirmou que a ação das Farc foi deliberada e terá consequências: "Esse incidente foi produto de um ataque deliberado das Farc e isso significa um rompimento claro da promessa de cessar-fogo unilateral. Esse foi um ato condenável que não ficará impune, que exige medidas contundentes e que terá consequências", declarou o presidente.

Reação das Farc

Em Cuba, o líder das Farc, Pablo Catatumbo, disse que a guerrilha lamentava as mortes dos militares e insistiu que o ato não foi premeditado.

Em comunicado divulgado em Havana, o grupo observa que agiu em legítima defesa face à ofensiva das tropas do governo: "Pedimos expressamente ao governo para conservar seu sangue frio e não tomar medidas que coloquem em perigo os progressos obtidos durante as negociações de paz", diz o comunicado.

Processo de paz

O governo colombiano e as Farc vêm dialogando em Havana desde novembro de 2012. Em dezembro do ano passado, a guerrilha anunciou uma trégua unilateral e indefinida.

Na semana passada, o presidente Santos havia prolongado a trégua por quatro meses para facilitar as negociações, em troca do respeito dos guerrilheiros ao cessar-fogo.

Fim do diálogo?

Resta agora a dúvida se o ataque irá ou não anular os esforços feitos até agora. Para Antonio Muñoz, um dos negociadores das Farc, a culpa da guerrilha no confronto não foi provada e é possível que as forças governamentais tenham parte de responsabilidade. Para Muñoz, a situação é fruto da política incoerente do governo, que lança operações militares contra o grupo durante o cessar-fogo.

Desde a abertura das negociações, as Farc pedem que o cessar-fogo seja bilateral, exigência rejeitada pelo presidente Juan Manuel Santos.

 

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