Vaticano/Cuba

Papa quer incluir Cuba em sua rota para os Estados Unidos

Papa Francisco quer passar por Cuba em setembro.
Papa Francisco quer passar por Cuba em setembro. REUTERS/Alessandro Bianchi

O Papa Francisco poderá fazer uma escala em Cuba, no final de setembro, junto com a visita que fará aos Estados Unidos. O Vaticano confirmou nesta sexta-feira (17) ter iniciado negociações com o governo cubano para acertar detalhes operacionais de uma passagem pelo país caribenho.

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"O Pontífice estuda a ideia de efetuar uma escala em Cuba por ocasião de sua próxima viagem aos Estados Unidos", afirmou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Segundo ele, a viagem ainda é apenas uma hipótese e os contatos com as autoridades cubanas ainda estão em uma fase considerada "precoce".

O Papa Francisco foi um dos grandes articuladores da reaproximação entre Washington e Havana. O Vaticano ressaltou que o primeiro papa latino-americano teve uma mediação "pessoal" durante as primeiras discussões entre os dois países.

Francisco enviou uma carta aos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro. Depois, o sumo pontífice recebeu uma delegação dos dois países, em outubro do ano passado.

Nova etapa

Em comunicado, o Vaticano explicou que nos últimos meses o papa escreveu aos dois líderes com um pedido para que eles "resolvessem questões humanitárias de interesse comum, entre as quais a situação de alguns prisioneiros, com o objetivo de lançar uma nova fase nas relações entre as duas partes".

A visita a Cuba, caso seja confirmada, não seria surpreendente, já que os dois papas precedentes, João Paulo 2° e Bento 16, visitaram a ilha. Na viagem programada aos Estados Unidos, entre os dias 22 e 27 de setembro, Francisco será recebido por Barack Obama na Casa Branca, irá às Nações Unidas, em Nova York, e também celebrará uma missa campal na Filadélfia.

Celebração mais modesta da fracassada invasão americana

O anúncio da intenção do papa em visitar Cuba é feito no dia em que o país lembra o episódio que marcou a ruptura de suas relações do país com os Estados Unidos: a invasão americana na Baía dos Porcos em 1961, que acabou mal sucedida.

Como todo dia 17 de abril, tiros de canhão serão disparados da muralha da caserna La Cabaña, na entrada da Baía dos Porcos. Além disso, cerimônias serão realizadas na Praia de Girón, onde desembarcaram 1.400 anti-castristas apoiados por Washington, mas que não tiveram o esperado apoio da população.

No local, um museu exibe aviões, tanques e canhões que frearam a invasão, chamada por Fidel Castro como a primeira derrota imperialista na América Latina.

Na ocasião, aviões dos Estados Unidos bombardearam bases aéreas cubanas em Havana e Santiago. A operação, que violou convenções internacionais, destruiu parte da aviação cubana. Fidel Castro reagiu declarando o caráter socialista da Revolução. Dois dias de conflitos resultaram em 268 mortos.

A celebração deste ano, no entanto, será mais discreta realizada em um contexto bem diferente, o de uma reaproximação entre os dois países. Desde dezembro, Havana e Washington reataram um diálogo para pôr fim a 54 anos de conflito e de tensões, que tiveram início na fracassada tentativa de invasão americana na baía dos Porcos.

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