Venezuela/Espanha

Espanha chama embaixador na Venezuela para consultas

Ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, durante conferência em Moscou. 10/03/2015
Ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, durante conferência em Moscou. 10/03/2015 REUTERS/Sergei Karpukhin

O governo espanhol considerou intoleráveis as declarações do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que acusou Madri de "terrorismo" e de apoiar um "complô" contra o país. Em consequência, o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, decidiu nesta quarta-feira (22) chamar seu embaixador na Venezuela, Antonio Pérez Hernándes, para consultas.

Publicidade

O chanceler espanhol explicou aos jornalistas hoje em Madri que a decisão foi tomada devido ao "nível de irritação verbal que ele detectou na fala do presidente Maduro". "Os adjetivos usados pelas autoridades, mas nunca pelo povo venezuelano, são intoleráveis", disse José Manuel García-Margallo.

O presidente Nicolás Maduro acusou na terça-feira (21) o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, de "estar por trás da conspiração internacional para derrubar o governo constitucional" que ele preside. Além de apoiar o "terrorismo", Rajoy pertence a "um grupo de corruptos, bandidos e ladrões" disse ainda Maduro.

Segundo incidente

Na opinião de Madri, o presidente da Venezuela já havia "insultado e ameaçado" o governo conservador espanhol no último dia 15 de abril. Após a adoção pelo Congresso da Espanha de uma moção exigindo a libertação de opositores venezuelanos, Maduro chamou Mariano Rajoy de "racista". O líder bolivariano considerou a moção "uma agressão das elites corruptas espanholas contra os venezuelanos". A declaração levou o governo espanhol a convocar o embaixador da Venezuela em Madri para explicações.

A tensão entre os dois países aumentou recentemente, devido ao apoio da Espanha a dois opositores venezuelanos detidos: o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, e o chefe do Partido Voluntad Popular, Leopoldo Lopez. Tanto o Partipo Popular conservador, no poder na Espanha, quanto o Partido Socialista, exigem a libertação e o respeito aos direitos dos dois opositores. Lopez é acusado de envolvimento nas manifestações estudantis contra o governo venezuelano que deixaram 43 mortos no início de 2014. Ledezma é acusado de complô.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.