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Papa Francisco/América do Sul

Papa pede mais inclusão social no Equador, mergulhado na crise

O Papa Francisco iniciou neste domingo (5) uma viagem à América Latina, onde visita Equador, Bolívia e Paraguai.
O Papa Francisco iniciou neste domingo (5) uma viagem à América Latina, onde visita Equador, Bolívia e Paraguai. REUTERS/Jose Miguel
Texto por: RFI
4 min

"Incentivar o diálogo e a participação do povo sem exclusões", esse foi o primeiro pedido do papa Francisco ao chegar neste domingo (5) em Quito, no Equador, onde foi recebido pelo presidente Rafael Correa e a primeira-dama, Anne Malherbe. Depois de dois anos, quando esteve no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, o Sumo Pontífice volta à América do Sul levando uma mensagem de justiça social.

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O papa Francisco desembarcou ontem à tarde em Quito, no Equador, onde deve ficar até quarta-feira, antes de seguir para a Bolívia e o Paraguai. Ele celebra uma missa campal nesta segunda-feira (6) em Guayaquil, no sudoeste do país, e outra amanhã, na capital. A expectativa é que 3 milhões de fiéis compareçam às missas, inclusive milhares de colombianos e peruanos que cruzaram as fronteiras do Equador para vê-lo.

O Sumo Pontífice chega em um momento crítico no país. Há mais de um mês, parte da população pede a saída de Rafael Correa. Logo depois de desembarcar, em seu primeiro discurso em solo equatoriano, o Papa lembrou que no Evangelho é possível encontrar "as chaves" para "enfrentar os desafios atuais, valorizando as diferenças, fomentando o diálogo e a participação sem exclusões". Isso permitirá que "as conquistas no progresso e no desenvolvimento que estão sendo conseguidas garantam um futuro melhor para todos, dando atenção especial aos nossos irmãos mais frágeis e às minorias mais vulneráveis, que são a dívida que toda a América Latina ainda tem", declarou.

Ao presidente, um confesso admirador do Papa que se descreve como um "católico humanista de esquerda", Francisco disse que o governo poderá contar com o compromisso e o apoio da Igreja, mas frisou a necessidade de dar atenção às populações mais vulneráveis.

"Fora, Correa!"

Nos primeiros momentos no país, o Papa já se deparou com a insatisfação dos equatorianos. Ao se dirigir ao Núncio Apostólico, no norte de Quito, milhares de fiéis que aguardavam a passagem do Santo Padre gritavam contra o presidente: "Fora, Correa, fora!".

Em uma entrevista publicada ontem, o presidente não mencionou a revolta no país. Ele declarou que a visita do Sumo Pontífice será "uma grande oportunidade para refletir sobre estarmos no continente mais cristão do mundo, mas ao mesmo tempo o mais desigual do mundo". Já em seu discurso, Correa declarou que o grande problema da América é a "distribuição injusta das riquezas". "Pela primeira vez na história, a pobreza e a miséria de nosso continente não são consequência da falta de recursos, mas de sistemas políticos, sociais e econômicos perversos", disse.

Mais de um bilhão de católicos

A América Latina é uma região chave para a Igreja Católica, que concentra 1,2 bilhão de fiéis. A Igreja equatoriana espera uma "mensagem forte" do papa "para que nos posicionemos realmente em movimento junto às periferias, aos fragilizados e aos mais pobres", disse à AFP o sacerdote David de la Torre, porta-voz da Conferência Episcopal Equatoriana para a visita papal.

Os equatorianos estão eufóricos com a visita do Santo Padre e sua mensagem de justiça social. Em Quito, a população decorou as casas e colocou cartazes de boas-vindas. "Adoro a pregação do papa. Sou uma admiradora de São Francisco de Assis e adoro o Papa porque ele faz tudo igual: a humildade, o amor, a visão de que todos somos irmãos", disse à AFP María Criollo, uma dona de casa de 44 anos em uma igreja de Quito.

Depois do Equador, o Sumo Pontífice também visitará a Bolívia e o Paraguai. Nesta que é sua nona viagem ao exterior, ele terá um programa intenso: fará 22 discursos e tomará sete vezes o avião para percorrer 24 mil quilômetros em apenas oito dias.

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