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Equador/Igreja

Papa Francisco reúne 800 mil pessoas na primeira missa da turnê pela América do Sul

Papa Francisco celebra missa campal em Guayaquil, no Equador
Papa Francisco celebra missa campal em Guayaquil, no Equador REUTERS/Osservatore Romano
Texto por: RFI
5 min

O papa Francisco reuniu na segunda-feira (6), em Guayaquil, no Equador, 800 mil fiéis sob um sol abrasador, na primeira missa campal de sua visita à América do Sul. Ele pediu mais ajuda e serviços sociais para as famílias, sufocadas por problemas. 

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Uma multidão exausta pela exposição a temperaturas de até 32º C e longas vigílias escutou a liturgia de quase duas horas no parque Los Samanes. De volta à América do Sul dos "frágeis" e "vulneráveis", Francisco dedicou a homilia à família, um dos grandes desafios de seu pontificado, diante dos males que a assola, como as "doenças", a "falta de amor" e de trabalho.

"A família constitui a 'grande riqueza social' que outras instituições não podem substituir, que deve ser ajudada e potencializada, para não perder nunca o sentido justo dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos", disse."De fato, estes não são uma forma de esmola, mas uma verdadeira dívida social com relação à instituição familiar, que tanto aporta ao bem comum de todos."

Crise na família

Francisco arrancou risos dos fiéis ao usar uma metáfora para descrever a disposição da Igreja de atender os problemas que as famílias enfrentam, ao invés de condená-los. A Igreja "não é uma mãe que reclama, nem uma sogra, que vigia para rir das nossas imperícias, dos nossos erros ou desatenções. Maria simplesmente é mãe! Está ali, atenta e solícita", destacou.

A mensagem de Francisco calou fundo entre os presentes, que suportaram um calor extremo com jatos d'água lançados pelos bombeiros. Mesmo assim, algumas pessoas perderam a consciência e precisaram ser socorridas. Olimpia Herrera, uma professora de 62 anos, se disse convencida pelas palavras do pontífice. "Estávamos precisando [deste testemunho] porque há muitos lares que estão desintegrados", disse à AFP.

A crise da família será um dos temas que serão debatidos em outubro no Vaticano durante o sínodo dos bispos, no qual serão fixados os critérios com os quais a Igreja do século XXI encarnará as mudanças das sociedades modernas, como a família monoparental, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o acesso à comunhão para os divorciados que voltarem a se casar.

"O vinho é sinal de alegria, de amor, de abundância. Quantos dos nossos adolescentes e jovens percebem que, em suas casas, isso não tem faz tempo. Quantos idosos se sentem deixados de fora da festa de suas famílias, em um canto", clamou o papa. Ainda assim, Francisco se mostrou muito otimista com o futuro da família: "O melhor vinho está por vir naqueles que hoje veem tudo desabar".

Missa em Quito

Nesta terça-feira (7), o papa celebra uma segunda missa campal em Quito, no parque Bicentenário, onde são esperadas um milhão de pessoas. Antes de ir a Los Samanes, Francisco fez um trajeto de carro até o santuário do Senhor da Divina Misericórdia, durante a qual voltou a receber demonstrações de carinho de pessoas que se amontoaram dos dois lados da rua.

Já na capela, reuniu-se com um grupo de convidados, os quais surpreendeu com um pedido: "Eu os abençoo. Não, não vou cobrar nada de vocês, mas peço, por favor, que rezem por mim. Prometem?", disse o sumo pontífice, arrancando risos dos presentes.

Em seu regresso a Quito, o papa se reuniu durante meia hora com o presidente do Equador, Rafael Correa, mas o conteúdo do encontro não foi divulgado. Após a reunião, Francisco fez um novo apelo para que não haja diferenças e exclusões no país. "Vou dar a benção para este grande e nobre povo equatoriano, para que não haja diferenças, que não haja gente que se descarte. Que todos sejam irmãos, que se incluam todos e que não haja ninguém excluído desta grande nação", disse o papa em visita à catedral metropolitana.

Durante a tarde, Francisco visitou o colégio Javier dos jesuítas, também em Guayaquil, onde se reencontrou - após 30 anos - com o padre Francisco Cortés ou padre Paquito, que lhe ajudou no ensino de jovens quando Francisco era reitor de um colégio em Buenos Aires. "Foi um encontro emotivo, muito familiar", contou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

Em seu primeiro dia no Equador, Francisco já deu demonstrações da simplicidade e da afetividade que o tornaram famoso no mundo: deixou que tirassem 'selfies' com ele no aeroporto de Quito, permitiu que um jornalista beijasse sua mão e abençoou fiéis que o aclamavam à noite nos arredores do Núncio Apostólico, onde está alojado, não sem antes pedir que deixassem os vizinhos dormir.

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