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Estados Unidos/Porte de Armas

EUA: morte de jornalistas americanos reabre debate sobre porte de armas

Imagem de arquivo de marcha pelo controle de porte de armas em Washington, nos Estados Unidos, em 2013.
Imagem de arquivo de marcha pelo controle de porte de armas em Washington, nos Estados Unidos, em 2013. Flickr/ Elvert Barnes
Texto por: RFI
4 min

O assassinato de dois jornalistas de uma emissora de televisão americana, executados quando realizavam uma entrevista transmitida ao vivo, relança o debate do porte de armas nos Estados Unidos e a presença crescente das redes sociais na vida das pessoas. Imagens do ataque contra a repórter e o cinegrafista,  pelo próprio autor dos disparos, foram divulgadas no Twitter e rapidamente reproduzidas no Facebook e pelo YouTube.

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Exprimindo sua tristeza sobre a morte dos dois jornalistas da WDBJ, Alison Parker, 24 anos, e Adam Ward, de 27 anos, o presidente americano Barack Obama fez nesta quarta-feira (26) um novo apelo para que o Congresso dos Estados Unidos endureça a lei sobre o controle de armas. Ele ressaltou que o número de vítimas que morrem em incidentes com armas de fogo no país é muito superior ao das vítimas do terrorismo.

Entre os pré-candidatos à presidência, a democrata Hillary Clinton, em campanha no Estado americano do Iowa, foi a primeira a se manifestar ontem sobre o caso, pedindo mais medidas para combater esse tipo de violência que se repete quase todos os dias no país. "Devemos fazer algo sobre o porte de armas nos Estados Unidos. Vou batalhar para isso porque há muitas pessoas que estão a par deste problema, mas que não se engajam porque é difícil. É uma questão muito política e dura no país", disse.

Estado onde a venda de armas é menos rigorosa

Terry McAuliffe, governador do Estado da Virgínia, palco do ataque, também lembrou a imensa quantidade de armas de fogo nas mãos de civis nos Estados Unidos. A Virgínia, no entanto, é um dos Estados onde o controle da venda de armas é menos rigorosa.

Ongs americanas indicam que 89 pessoas são mortas por dia nos Estados Unidos em incidentes relacionados a armas de fogo. Em 40% desses casos, as armas utilizadas foram vendidas sem nenhuma verificação do perfil do comprador.

Ataque foi divulgado nas redes sociais

Vester Lee Flanagan, de 41 anos, é o principal suspeito da morte dos dois jornalistas. Em um vídeo cuja autoria é atribuída a ele, divulgado ontem nas redes sociais, a câmera se aproxima da repórter e do cinegrafista. As imagens mostram uma arma sendo apontada para Alison Parker, que entrevistava ao vivo uma mulher.

A filmagem ao vivo realizada pelo cinegrafista Adam Ward mostra primeiramente a repórter sorrindo durante a entrevista e, logo depois, desperada e aos gritos quando percebe que é alvo dos disparos. Na sequência, a câmera de Ward cai no chão - momento em que foi alvejado - e ainda filma os pés do agressor.

Vítima de racismo

Uma série de mensagens no Twitter foram publicadas na conta atribuída a Flanagan, que já havia trabalhado como repórter na própria WDBJ, e conhecia as vítimas. Negro e homossexual, ele justificou seu ato por ter sido vítima de supostos comentários racistas, discriminatórios e homofóbicos de Parker e Ward. Perseguido pela polícia, Flanagan atirou contra si mesmo, foi levado com vida ao hospital e morreu horas depois.

Especialistas consideram que essa é a primeira vez que um indivíduo usa o Twitter e o Facebook de maneira independente para divulgar um crime. O caso marcaria uma nova etapa no uso das redes sociais. Tanto o Twitter, como o Facebook e o YouTube, retiraram as imagens em que os jornalistas aparecem sendo abatidos.

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